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Amsterdã, Países Baixos

Amsterdã: onde ficar, ingresso da Anne Frank e as novas regras do Red Light

O ingresso da Anne Frank sai às terças, 10h no horário local, e o Rijksmuseum exige reserva até de quem entra grátis. Onde ficar em Amsterdã e quando ir.

Foto: Massimo Catarinella · CC BY-SA 3.0

Toda terça-feira, às 10h da manhã em Amsterdã, a Casa de Anne Frank libera os ingressos para as visitas de dali a seis semanas. No Brasil, são 5h ou 6h da madrugada, conforme a época do ano, e quem acorda tarde costuma encontrar os horários bons esgotados. Na porta, o museu não vende ingresso. A Amsterdã de hoje funciona assim: entrada com hora marcada, transporte pago encostando o cartão e um centro antigo com regras novas de horário e de comportamento.

Três museus, três regras de ingresso

Casa de Anne Frank

O esconderijo onde Anne Frank escreveu o diário fica no Prinsengracht, na borda do Jordaan. Os ingressos são vendidos só pela internet, para um horário fixo. Em outubro de 2026, custavam 16,50 euros para adultos, 7 euros de 10 a 17 anos e 1 euro até 9 anos, já com a taxa de reserva de 1 euro. O museu abre todos os dias das 9h às 22h, com horário reduzido ou fechado em algumas datas, como o Dia do Rei, o Yom Kippur e os dias 25 e 31 de dezembro.

Bom saber

Ponha um alarme para a terça-feira certa e deixe o cartão à mão (o museu não aceita outro meio de pagamento). Se tudo esgotar, volte ao site nos dias seguintes, porque aparecem devoluções.

Rijksmuseum

O museu nacional guarda A Ronda Noturna, de Rembrandt, e a maior coleção de pintura holandesa do século 17. Abre todos os dias das 9h às 17h, inclusive feriados. O adulto pagava 25 euros em outubro de 2026, e quem tem até 18 anos entra de graça, mas todo mundo precisa reservar um horário de entrada, até quem tem ingresso gratuito. A bilheteria vende o que sobra, quando sobra.

A fachada norte do Rijksmuseum, de 1885, voltada para o centroFoto: Vasyatka1 · CC BY-SA 4.0

Museu Van Gogh

A 300 metros do Rijksmuseum, na outra ponta da Museumplein. Em outubro de 2026, o adulto pagava 25 euros (26 a partir de 1º de janeiro de 2027). Menores de 18 também não pagam, mas aqui a venda é só pela internet, com horário. O próprio museu avisa que há golpistas vendendo ingresso falso: compre no site oficial ou nas revendedoras que ele lista.

Se puder, faça os dois em dias separados: cada um pede de duas a três horas, e o segundo do dia costuma ser visto às pressas.

Onde ficar em Amsterdã: anel dos canais, Jordaan, De Pijp, Oost ou Noord

O que interessa ao turista cabe num raio de uns 2 km a partir da estação Centraal. Em casa antiga de canal, a escada é quase vertical e elevador é raro: quem viaja com mala grande ou com idosos precisa perguntar antes.

Anel dos canais (Grachtengordel)

Os três canais em semicírculo do século 17 (Herengracht, Keizersgracht e Prinsengracht) são patrimônio da Unesco desde 2010. Dormir aqui significa ir a pé a quase tudo e voltar à noite pela beira dos canais. Os quartos são pequenos e os mais caros da cidade. Perto da Leidseplein e da Rembrandtplein, as praças da noite, o barulho vai longe; os trechos entre a Westerkerk e a Utrechtsestraat são mais calmos.

Jordaan

O antigo bairro operário a oeste dos canais virou um dos mais disputados da cidade: ruas estreitas, canais menores, galerias e os bruine cafés, os bares de madeira escura onde se pede uma cerveja e um prato de queijo. Aos sábados, a Noordermarkt tem feira de produtores; às segundas de manhã, brechó. O contra: há pouca hospedagem, e o preço acompanha a fama.

O Brouwersgracht, na divisa norte do JordaanFoto: Jvhertum · Public domain

De Pijp

Ao sul dos canais, De Pijp foi construído como moradia operária no século 19 e hoje concentra restaurantes baratos de várias cozinhas, de surinamês a indonésio. O centro do bairro é a Albert Cuypmarkt, a feira de rua que funciona de segunda a sábado, com queijo, arenque, stroopwafel feito na hora e roupa em conta. A Museumplein fica a uns 15 minutos a pé, e a linha 52 do metrô liga o bairro à Centraal em poucos minutos. Quase não há canal, e as noites de sexta e sábado são barulhentas.

Banca de queijo na Albert Cuypmarkt, em De PijpFoto: eric molina · CC BY 2.0

Oost

A leste do Amstel, o bairro é residencial e variado: o Oosterpark, a feira da Dappermarkt, o zoológico Artis e o jardim botânico Hortus no caminho para o centro. Os preços caem um pouco, os quartos crescem, e o bonde leva uns 15 minutos até o centro. É o melhor custo-benefício para família. Depois das 22h, pouca coisa fica aberta.

Noord

Na margem norte do rio IJ, atrás da Centraal, a antiga zona de estaleiros virou bairro de arquitetura nova, com o museu de cinema EYE, a torre A'DAM com mirante no alto e o NDSM, um galpão naval tomado por artistas e mercados de pulgas. As balsas para pedestres e ciclistas são gratuitas. Os quartos costumam ser maiores e mais novos pelo mesmo preço, em troca de depender da balsa ou do metrô para tudo.

Bom saber

Evite dormir no Red Light District e nas ruas coladas à Centraal. É central, mas o barulho de despedida de solteiro vai até as 3h, e de manhã o lixo da noite está na porta.

Red Light District: as regras mudaram

A prefeitura passou os últimos anos tentando tirar do De Wallen, a área das vitrines no centro antigo, o turismo de bebedeira. Algumas regras afetam qualquer visitante:

  • Desde maio de 2023, é proibido fumar maconha na rua na área. Coffeeshops seguem abertos e vendem para turistas em Amsterdã, mas o consumo fica lá dentro.
  • Nas noites de sexta e sábado, bares e restaurantes da área fecham às 2h e não deixam ninguém entrar depois da 1h. A regra era temporária; a prefeitura propôs mantê-la até abril de 2027.
  • As vitrines chegaram a fechar às 3h em 2023, mas desde 2024 voltaram a funcionar até as 6h.
  • Grupos guiados que passam pelas vitrines foram proibidos em 2020.
  • Fotografar as trabalhadoras nas janelas não é permitido e costuma acabar em discussão.

Andar pela área de dia ou no começo da noite é tranquilo. Depois da meia-noite, sobram grupos bêbados e vendedores de rua.

Do trem de Schiphol à bicicleta: como circular

Do aeroporto ao centro

A KLM tem voo direto de São Paulo e do Rio para Schiphol. De lá, o trem da NS, a ferrovia holandesa, vai à estação Centraal em 14 a 17 minutos, por cerca de 6 euros a viagem simples (a tarifa muda todo janeiro; confira no aplicativo da NS). A estação fica embaixo do terminal, sem ônibus nem baldeação. Você encosta o cartão de crédito ou o celular por aproximação na catraca da entrada e de novo na saída. De madrugada, há trens noturnos de hora em hora.

Bonde, metrô e barco

A GVB, empresa de transporte de Amsterdã, aceita o mesmo pagamento por aproximação nos bondes, metrôs e ônibus, sempre com check-in e check-out: quem esquece de encostar na saída é cobrado pela tarifa máxima, e o estorno se pede no site do OVpay. Com cartão bancário, o gasto nas linhas diurnas da GVB tem teto de 10,50 euros por dia (o ônibus noturno fica de fora).

Os passeios de barco pelos canais costumam durar cerca de uma hora e saem da frente da Centraal e da região do Rijksmuseum.

A bicicleta e o pedestre

A ciclovia é vermelha e é das bicicletas. O erro clássico do turista é parar nela para tirar foto, e o ciclista não desvia.

Se for alugar, alguns cuidados:

  • A bicicleta holandesa comum freia no pedal, pedalando para trás. Treine numa rua calma antes de encarar o trânsito.
  • Atravesse trilho de bonde em ângulo, nunca em paralelo: a roda entra na fenda.
  • Sinalize com o braço, use luz à noite e não pedale com o celular na mão, o que é proibido.
  • Prenda a bicicleta pelo quadro num ponto fixo, com dois cadeados se puder. Bicicleta oferecida barata na rua quase certamente foi roubada.
Bicicletas presas no guarda-corpo de uma ponte do centroFoto: Sumit Surai · CC BY-SA 4.0

Taxa turística de 12,5%, e subindo

Amsterdã cobra 12,5% sobre o valor da diária sem impostos, em hotel ou em casa alugada, desde 2024. Numa semana de 200 euros a noite (sem IVA), são 175 euros só de taxa. E isso vem por cima do IVA sobre hospedagem, que subiu de 9% para 21% em 1º de janeiro de 2026, segundo a Receita holandesa. Nem sempre o preço anunciado inclui a taxa: compare o valor final.

A conta deve subir. Em junho de 2026, a nova gestão da cidade anunciou o plano, que ainda precisa passar na Câmara Municipal, de levar a taxa a 16% em 2027 e, depois, aumentar um ponto por ano até 20%, segundo o DutchNews e a Skift. Para viagem em 2027, confira a porcentagem em vigor na data da estadia.

Bate-voltas: moinhos, uma cidade menor e as tulipas

Zaanse Schans

Os moinhos de vento das fotos ficam às margens do rio Zaan, a uns 18 minutos de trem da Centraal até a estação Zaandijk Zaanse Schans, mais uma caminhada curta. A área externa é aberta e gratuita; os moinhos e alguns museus cobram entrada à parte. Zaanstad aprovou em 2025 um ingresso para visitantes (o valor proposto era 17,50 euros), que deveria começar em abril de 2026 e foi adiado para abril de 2027: para viagem a partir daí, confira no site oficial. Chegue cedo, antes dos grupos de excursão.

Moinhos de Zaanse Schans, às margens do rio ZaanFoto: DimiTalen · CC0

Haarlem

A 15 minutos de trem, Haarlem tem o que o centro de Amsterdã tinha antes do turismo de massa: a praça Grote Markt com a igreja de São Bavão, canais sem fila de barco e o Museu Frans Hals.

A Grote Markt de Haarlem e a igreja de São BavãoFoto: Fryslan0109 at English Wikipedia · Public domain

Keukenhof

O parque de flores de Lisse abre só na primavera. Em 2027, vai de 18 de março a 9 de maio, das 8h às 19h (entrada até as 18h15). As tulipas costumam estar no auge em meados de abril, conforme o frio do ano. Na temporada, há ônibus diretos a partir de Schiphol e de Leiden; compre o ingresso antes, no site do parque.

Quando ir a Amsterdã e quantos dias ficar

Abril e maio trazem tulipas, dias longos e o Dia do Rei, em 27 de abril, quando todo mundo sai de laranja e a cidade vira um grande mercado de rua e festa nos barcos (se o dia 27 cair num domingo, a festa passa para o sábado). É também o período de preço mais alto, junto com julho e agosto. Setembro e outubro costumam ter hospedagem mais barata e museus menos cheios. No inverno, escurece antes das 17h e chove fino com frequência, mas as filas dos museus encolhem.

Para calibrar a mala: a máxima média é de 22,5 °C em julho e de 6,2 °C em janeiro (normais de 1991 a 2020, em Schiphol), e são cerca de 133 dias por ano com pelo menos 1 mm de chuva.

Três dias inteiros cobrem os museus, os canais, um bairro para jantar e um passeio de barco. Com cinco, sobra tempo para Haarlem ou Zaanse Schans e para uma tarde em Noord.

Fuso: 5 horas à frente de Brasília no horário de verão europeu (em 2026, até 25 de outubro) e 4 no resto do ano.

Documentos, dinheiro e tomada

Brasileiro não precisa de visto para turismo de até 90 dias, dentro de um período de 180, no espaço Schengen. O passaporte deve valer pelo menos três meses além da data de saída e ter sido emitido há menos de dez anos. Leve a passagem de volta e as reservas impressas ou no celular: o agente de fronteira pode pedir, junto com a comprovação de dinheiro para a estadia (extrato ou cartão de crédito).

Desde abril de 2026, o EES, o novo sistema europeu de entrada e saída, está em pleno funcionamento: na primeira passagem, a imigração tira sua foto e colhe as impressões digitais, o que pode alongar a fila. O ETIAS, a autorização eletrônica que vai custar 20 euros e valer por três anos, ainda não está em vigor em outubro de 2026; a previsão é 2027, e a União Europeia promete avisar com meses de antecedência.

O cartão por aproximação funciona em quase tudo, e vários cafés e lojas não aceitam dinheiro. Pix não existe por lá. Alguns caixas de supermercado e lanchonetes recusam cartão de crédito estrangeiro, então leve um segundo cartão (de débito internacional ou de conta global) e poucos euros em espécie. Gorjeta não é obrigatória; quando o atendimento agrada, o costume é arredondar a conta ou deixar perto de 10%.

A tomada é do tipo C ou F, em 230 V, a mesma de quase toda a Europa continental.

Segurança: carteira, falso traficante e a beira do canal

Amsterdã é tranquila, com três cuidados. Há batedores de carteira na Centraal, nos bondes lotados e na Dam. Os vendedores de droga na rua oferecem produto falso e às vezes atraem o comprador para um beco: ignore e siga. E o canal não tem grade. Todo ano há afogamentos, quase sempre de homens que beberam e foram urinar na beirada à noite.

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Pontes em arco iluminadas no cruzamento dos canais Keizersgracht e Reguliersgracht ao anoitecer, com casas estreitas de tijolo ao fundo

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