mesmoteto
Blog

Bariloche, Argentina

Bariloche na neve ou no lago: o que fazer, onde ficar e quando ir

Neve no Catedral de julho a setembro, lagos e trilhas no verão: o que fazer em Bariloche, onde ficar (centro ou Bustillo) e como pagar sem perder no câmbio.

Foto: Fernando · CC BY-SA 4.0

No fim da rua Mitre, a calçada desemboca numa praça de pedra cinza e madeira escura, com uma torre de relógio e o lago Nahuel Huapi logo atrás, grande demais para parecer lago. Em julho, há manhãs em que a praça amanhece branca, e os ônibus para o Cerro Catedral passam lotados de gente de botas de esqui. Em janeiro, a mesma praça às nove da noite ainda está no sol, e o assunto é qual praia de pedra pegar amanhã.

Bariloche muda de cara conforme o mês. No inverno, tudo gira em torno da neve do Catedral. No verão, a cidade se espalha pelos lagos, pelas trilhas e pela estrada até San Martín de los Andes. O chocolate da Mitre e a cerveja da Bustillo valem nas duas estações.

Quando ir: neve de julho a setembro, lagos de dezembro a março

O frio de inverno é sério. Em julho, as máximas ficam em torno de 6 °C e as mínimas, abaixo de zero, na média histórica medida no aeroporto. Neva na cidade cerca de vinte dias por ano, quase sempre entre junho e agosto; no Catedral, a neve é constante na temporada.

A temporada de esqui costuma ir do fim de junho a setembro, conforme a neve. Em 2026, o Catedral abriu em 6 de julho, só com a área de iniciantes, e liberou as outras pistas aos poucos. Quem tem data fixa e não quer arriscar pouca neve evita o começo da temporada e fica com a segunda quinzena de julho ou agosto. É também quando Bariloche está mais cheia, com as férias escolares do Brasil e da Argentina somadas.

O verão é seco, de sol forte e vento, com máximas perto de 21 °C em janeiro e noites de 6 °C ou 7 °C. Leve casaco mesmo em fevereiro.

Março e abril trazem as folhas avermelhadas, menos gente e dias mais curtos. Na Semana Santa, a cidade faz a Fiesta Nacional del Chocolate, no Centro Cívico e na Mitre; em 2026, foi de 2 a 5 de abril.

Outubro e novembro são de vento e tempo instável, e a cidade fica vazia fora dos fins de semana.

Quatro ou cinco dias dão conta do verão: um para o Circuito Chico, um para o barco da Isla Victoria, um para a Rota dos Sete Lagos, um para trilha. Para esquiar, conte cinco a sete dias, com folga para o dia em que o vento fecha os teleféricos.

Esquiar no Cerro Catedral, a 19 km do centro

O Catedral tem cerca de 120 km de pistas e caminhos, base a 1.030 metros e pistas até pouco acima dos 2 mil. Na temporada de 2026, o passe de um dia custou 160 mil pesos para quem esquia e 90 mil para quem só sobe para passear, segundo o Diario Uno. Na Villa Catedral, a vila da base, ficam escolas de esqui, aluguel de equipamento e restaurantes.

A Villa Catedral vista da aerosilla, fora da temporada de neveFoto: Dario Alpern · CC BY-SA 4.0

Para quem nunca esquiou, o caminho é uma aula em grupo de manhã e a área de aprendizagem à tarde, com roupa impermeável: quem cai muito no primeiro dia passa a tarde molhado.

A linha 55 da Mi Bus sai do terminal rodoviário, passa pelo centro e segue pela Avenida de los Pioneros até a base. Paga-se com o cartão SUBE, vendido em quiosques; a tarifa autorizada em julho de 2026 era de 8.049 pesos, segundo o ANBariloche. Os horários mudam com a temporada, então confira na Mi Bus antes.

Bom saber

Em julho, saia cedo para o Catedral: nos dias cheios, a estrada de acesso congestiona e o estacionamento da base lota.

No verão, da base sai a trilha mais conhecida da região, até o Refugio Frey: cerca de 10 km só de ida, 700 metros de subida e quatro a cinco horas de caminhada, até uma lagoa cercada de agulhas de granito. O registro de trekking do Parque Nacional Nahuel Huapi é obrigatório e gratuito, feito on-line nas 48 horas anteriores à saída. Para dormir ou acampar no Frey, reserve antes pelo site do refúgio: sem o comprovante, não há vaga.

O Refugio Frey, a 1.700 metros, no fim da trilha que sai da base do CatedralFoto: Justraveling.com · CC BY-SA 4.0

Circuito Chico de carro, de ônibus ou de bicicleta

O Circuito Chico, o passeio clássico, funciona o ano todo. São cerca de 60 km ida e volta a partir do centro, pela Avenida Bustillo e por uma volta em torno do lago Moreno. De carro, cabe numa manhã.

A primeira parada é o Cerro Campanario, no km 17,5 da Bustillo. Uma aerosilla sobe em cerca de 7 minutos até o topo, a 1.050 metros. Lá de cima, a vista abre para os lagos Nahuel Huapi e Moreno, as penínsulas San Pedro e Llao Llao e, ao fundo, os cerros Otto, Catedral e López. A aerosilla fecha mais cedo no inverno; quem prefere subir a pé leva de meia hora a uma hora pela trilha.

A vista do topo do Cerro Campanario num dia de invernoFoto: Bautista Da Costa Castro · CC BY-SA 4.0

Depois vêm a península Llao Llao, com a capela San Eduardo, e Puerto Pañuelo, de onde saem os barcos para a Isla Victoria e o Bosque de Arrayanes. A volta pelo lago Moreno passa pela Bahía López e pelo Punto Panorámico, o mirante do circuito.

De bicicleta, vale fazer só a parte mais bonita: a volta de cerca de 27 km pelo lago Moreno, com subidas curtas e fortes. As lojas de aluguel ficam perto do km 18 da Bustillo, no começo desse trecho; para chegar lá, pegue a linha 20 no centro.

Já perto do fim, a Cerveza Patagonia tem cervejaria no km 24,7 do circuito, com mesas ao ar livre e vista para o lago. O desvio para Colonia Suiza rende meio dia. A vila foi fundada por imigrantes suíços e é conhecida pelo curanto: carne e legumes cozidos num buraco com pedras quentes.

Isla Victoria e Bosque de Arrayanes

O passeio de barco a partir de Puerto Pañuelo dura de cinco a sete horas, com caminhada na Isla Victoria e no Bosque de Arrayanes, na península de Quetrihué, onde as árvores têm tronco cor de canela e frio ao toque. Em outubro de 2026, um dos operadores cobrava 152 mil pesos por adulto, com traslado do hotel, em tarifa válida até dezembro. A entrada do Parque Nacional Los Arrayanes (35 mil pesos para estrangeiro) e a taxa de embarque (4.300 pesos) são pagas à parte, em dinheiro.

Chegada de barco a Puerto Anchorena, na Isla VictoriaFoto: Alexrebolledo · CC BY-SA 3.0

Cerro Tronador, por enquanto fechado

O outro passeio de dia inteiro é o Cerro Tronador, na fronteira com o Chile, com a geleira do Ventisquero Negro. Pampa Linda fica a cerca de 85 km do centro, e os últimos 50, a partir do lago Mascardi, são de rípio, a estrada de terra e cascalho.

De Los Rápidos em diante, a estrada funciona em mão única por horário, segundo o Parque Nacional: subida das 10h30 às 14h e descida das 16h às 18h. Mesmo em ano normal, é passeio de verão. No outono e no inverno, o café e os banheiros da base do Tronador fecham, e só se chega até o mirante do Ventisquero Negro.

Em 27 de setembro de 2026, a cheia do rio Manso derrubou a ponte de Pampa Linda e o parque fechou o acesso; em 9 de outubro, o caminho da Cascada Los Alerces já tinha reaberto, mas o do Tronador seguia fechado, sem data. Antes de planejar o verão, confira se a estrada reabriu.

Um dia (ou dois) pela Rota dos Sete Lagos

A Ruta de los Siete Lagos é o trecho da Ruta Nacional 40 entre Villa La Angostura e San Martín de los Andes, na província de Neuquén. São cerca de 110 km de asfalto entre floresta e lagos de água transparente, parados como espelho nos dias sem vento. No caminho ficam o Espejo, o Correntoso, o Escondido, o Villarino, o Falkner, o Machónico e o Lácar. De Bariloche a San Martín, são 185 km, contornando o Nahuel Huapi até Villa La Angostura.

O lago Espejo Chico, num desvio curto da Rota dos Sete LagosFoto: Claudio Elias · CC BY-SA 4.0

Os passeios de agência levam de 10 a 11 horas. De carro, você escolhe a volta: pelo mesmo caminho, 370 km de asfalto; por Paso Córdoba, cerca de 350 km, dos quais 70 de rípio; ou por Junín de los Andes, cerca de 440 km asfaltados. A CNH brasileira vale para dirigir na Argentina.

A estrada fica aberta o ano todo, mas no inverno a prefeitura de Bariloche recomenda levar correntes para os pneus: neve e gelo podem fechar trechos. Confira as condições no centro de informações turísticas antes de sair.

Se der, durma uma noite em San Martín de los Andes, cidade pequena e plana na ponta do lago Lácar. A ida fica sem pressa, e a volta pode ser por outro caminho no dia seguinte.

O lago Lácar visto do mirante Bandurrias, em San Martín de los AndesFoto: Albasmalko · CC BY-SA 3.0

Chocolate na Mitre, cerveja com vista na Bustillo

A rua Mitre é a vitrine do chocolate. A Mamuschka, de fachada vermelha com bonecas russas, e a Rapa Nui, no número 202, com café e sorveteria, são as mais procuradas. Peça o chocolate em rama, em lascas finas e enroladas, a especialidade da cidade.

As cervejarias artesanais do centro enchem no fim da tarde; as da Bustillo e do Circuito Chico têm vista de lago e pedem carro ou táxi na volta.

Centro ou os quilômetros da Bustillo: onde ficar em Bariloche

A Avenida Bustillo sai do centro e segue pela margem do Nahuel Huapi até o Llao Llao, e os endereços são dados pelo quilômetro. Quanto maior o número, mais longe do centro e mais dependente de carro.

Centro: tudo a pé, inclusive o barulho

É a escolha certa para quem não aluga carro. Os ônibus para o Catedral, o Circuito Chico e o aeroporto passam por ali, e a Mitre, os restaurantes e as agências de passeio ficam a pé. O contra: o trânsito na temporada de neve e o barulho dos estudantes argentinos em viagem de formatura, que chegam em grupos a partir de junho e enchem as baladas do centro. Prefira as ruas que sobem a encosta, a algumas quadras da Mitre, com vista do lago.

Neve no Centro Cívico, no coração do centro de BarilocheFoto: Ezarate · CC BY-SA 4.0

Bustillo até o km 8: vista de lago e ônibus na porta

Nos primeiros quilômetros, em bairros como Melipal (perto do km 4) e Playa Bonita (no km 8), a cidade fica mais calma, com casas de frente para o lago. O centro fica a uns 15 minutos de carro, e as linhas 20 e 21 passam pela avenida. É o melhor meio-termo para quem quer vista e ainda depende de ônibus.

Bustillo depois do km 10: floresta, silêncio e carro

É a região mais perto do Cerro Campanario e do Circuito Chico. Sem carro, cada jantar vira táxi ou ônibus noturno; no inverno, a ida ao Catedral fica mais longa.

Villa Catedral: dormir ao pé da pista

Ficar na base poupa a estrada todo dia numa semana de esqui. Fora da temporada de neve, há muito menos movimento e serviço, e o centro fica a 19 km.

Voo direto no inverno, conexão no resto do ano

No inverno de 2026, houve voos diretos de Guarulhos pela LATAM (de meados de junho ao fim de agosto), pela Aerolíneas Argentinas (julho e agosto) e pela Gol (do fim de junho ao começo de agosto). A Azul voou de Campinas, Belo Horizonte e Porto Alegre de 27 de junho a 30 de agosto. Fora dessa janela, conecte em Buenos Aires, de preferência pelo Aeroparque.

O aeroporto fica a cerca de 13 km do centro. A linha 72 da Mi Bus liga o aeroporto ao terminal rodoviário e ao centro; a tarifa autorizada em julho de 2026 era de 7.144 pesos, segundo o ANBariloche. Há também táxi e vans que deixam no hotel.

Dinheiro: pesos, cartão e Pix em 2026

O cartão de crédito brasileiro é o jeito mais simples de pagar. A compra de estrangeiro é convertida pelo dólar MEP, que anda praticamente colado no oficial desde abril de 2025, quando caiu a maior parte do controle de câmbio. Do lado brasileiro, entra o IOF de 3,5%, a mesma alíquota da compra de moeda em espécie desde maio de 2025.

O Pix funciona nas maquininhas Point Smart do Mercado Pago, com o valor em reais no aplicativo do seu banco, mas a aceitação ainda é pequena.

Leve algum dinheiro vivo para ônibus, táxi, gorjeta e pequenas compras. Dólar em notas de 100 em bom estado recebe a melhor cotação nas casas de câmbio; câmbio na rua é ilegal e nota falsa é risco. Na mesa, a gorjeta costuma ser de 10%.

Bom saber

Na hospedagem, peça o desconto do IVA: turista estrangeiro não paga os 21% sobre a diária, café da manhã incluído. Para isso, pague com cartão emitido fora do país (ou transferência do exterior) e mostre o documento e o comprovante de entrada da Migraciones. Só vale em estabelecimento inscrito no IVA na ARCA, a receita argentina (regra divulgada pelo governo em julho de 2025, a mais recente publicada); em aluguel de particular, pergunte antes.

Documentos, fuso, tomada e segurança

Para turismo, o brasileiro entra na Argentina com o RG físico, em bom estado e emitido há menos de 10 anos, segundo a Polícia Federal. A CNH não serve como documento de entrada. Passaporte válido também é aceito.

O fuso é o mesmo de Brasília. A tensão é de 220 V e a tomada mais comum tem pinos chatos em V: leve adaptador. Um eSIM ou chip local resolve a internet; o sinal some em trechos da Rota dos Sete Lagos.

Bariloche é tranquila para os padrões de cidade turística. O cuidado maior é na montanha: não faça trilha sozinho, faça o registro de trekking e volte antes de escurecer (no inverno, por volta das 18h). Na estrada de inverno, quem nunca dirigiu na neve faz melhor contratando passeio do que alugando carro.

O que reservar antes e o que se resolve lá

Se for de inverno, reserve antes o voo direto, a hospedagem e as aulas de esqui das férias de julho; se for de verão, a bicicleta do Circuito Chico se resolve na hora, mas o barco da Isla Victoria e o refúgio do Frey, não.

1 de 8
Península Llao Llao vista do alto, com bosques escuros, um grande edifício de telhado vermelho e o lago Nahuel Huapi azul até as montanhas nevadas

Continue lendo