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Armação dos Búzios, Rio de Janeiro

Praias de Búzios: qual escolher para surfar, nadar com criança ou fazer snorkel

Geribá para surfar, Ferradura para criança, João Fernandes para snorkel: qual praia de Búzios escolher, onde ficar, quando ir e como chegar do Rio.

Foto: Gledson Agra de Carvalho · CC BY-SA 4.0

Búzios tem um lado de água morna e outro de água gelada, e eles ficam a poucos minutos um do outro: a península tem uns 8 km de comprimento e 23 praias. As do norte, viradas para dentro da baía, ficam protegidas e esquentam. As do sul e do leste recebem a água fria que sobe do fundo do mar quando sopra o vento nordeste, o mesmo fenômeno que gela o mar de Arraial do Cabo. Quem passa a manhã na Azeda e a tarde na Ferradura sente a diferença no primeiro mergulho.

Não é só a temperatura. As enseadas viradas para dentro da baía têm mar parado; as que olham para o oceano aberto, como Geribá e Brava, recebem onda. Por isso, em Búzios, a escolha da praia começa pelo que você quer fazer naquele dia:

  • Surfar, ver gente e passar o dia num lugar só: Geribá.
  • Criança pequena na água: Ferradura e Ferradurinha.
  • Máscara e snorkel: João Fernandes, João Fernandinho, Azeda e Forno.
  • Onda forte e menos gente: Brava.
  • Pôr do sol: Tartaruga ou o píer do Porto da Barra, em Manguinhos.

Geribá, a praia de surfe e de quem quer movimento

Geribá é a praia mais extensa de Búzios, com quase 2 km de areia, de frente para o mar aberto. A onda é constante e o vento também, o que fez dela a praia das escolas de surfe. O centro da praia concentra o movimento; o lado direito costuma ser mais vazio, e o canto esquerdo, mais calmo, é o que serve para quem quer só nadar.

Do canto esquerdo sai a trilha curta para a Ferradurinha, uma prainha entre dois costões de pedra, com mar parado e areia mínima.

Geribá, a praia aberta para o oceano, onde ficam as escolas de surfeFoto: AnnaClGS · CC BY-SA 4.0

Geribá fica a uns 3 ou 4 km da Rua das Pedras, e o bairro em volta tem mercado, farmácia e quiosques próprios. Dá para passar o dia sem ir ao Centro.

Ferradura: dá pé até longe, mas a água é gelada

Dois morros fecham a Ferradura quase num círculo, e é esse desenho que dá nome à praia e segura a onda do lado de fora. É a praia mais simples para família: dá pé até bem longe da beira, tem aluguel de caiaque, stand-up e pedalinho, além de cadeira com serviço. O movimento se concentra no canto esquerdo.

A desvantagem é a temperatura. A Ferradura está no lado sul da península, e a água é bem gelada mesmo em janeiro; nos dias de vento nordeste, comuns no verão, esfria ainda mais de um dia para o outro. E não é a mais transparente de Búzios.

A boca da Ferradura: a onda fica do lado de fora da baíaFoto: AnnaClGS · CC BY-SA 4.0

João Fernandes, Azeda e o snorkel do lado norte

O lado de dentro da península, entre o Centro e a ponta de João Fernandes, é o das águas mais claras e mornas. Leve máscara e snorkel na mala.

João Fernandes é a mais completa: maior que a vizinha João Fernandinho, de mar muito calmo, com restaurantes na areia e aluguel de caiaque e stand-up. Logo acima fica o Mirante de João Fernandes. O problema é estacionar; no verão, chegue de táxi-boat ou de carro por aplicativo.

João Fernandinho é mais rústica e tem acesso por escada. Por ali também se faz batismo de mergulho, para quem nunca mergulhou com cilindro.

João Fernandes vista do morro: mar fechado e claro, bom para snorkelFoto: Halley Pacheco de Oliveira · CC BY-SA 3.0

Azeda e Azedinha são duas prainhas curtas ligadas por um caminho de pedras, dentro de uma área de proteção ambiental. A água é morna e transparente, e as pedras planas da beira já são o começo do snorkel.

Carro e táxi só vão até a Praia dos Ossos. Dali se sobe uma ladeira e se desce uma escada de madeira até a Azeda, uns 8 minutos a pé; para a Azedinha, siga pelas pedras do canto direito. Como a areia é pouca, chegue cedo ou vá num dia de semana.

A Azeda vista das pedras da beiraFoto: Halley Pacheco de Oliveira · CC BY-SA 3.0

Mais perto do Centro, ainda do lado da baía, a Tartaruga tem perto de 1 km de mar calmo, dividido em duas partes por um trecho de pedras, quiosques de madeira e restaurantes na areia. É uma das paradas da escuna e um dos lugares onde se espera o sol cair.

Brava, Forno e Foca: o lado leste, de água fria

A Brava olha para o mar aberto: onda forte, boa para surfe e ruim para banho de criança. O canto esquerdo tem beach clubs, com consumação cara; o direito é rústico, com ambulante e aluguel de cadeira. Do canto direito sai a trilha para a Olho de Boi, praia de naturismo pequena e escondida entre pedras, a uns 20 a 30 minutos de caminhada.

Bom saber

Em agosto de 2026, um incêndio queimou mata entre a Brava e o Forno e atingiu parte da trilha da Olho de Boi. Pergunte no canto da Brava se o caminho está aberto antes de subir.

Praia do Forno: areia avermelhada, mar calmo e pouca genteFoto: Fulviusbsas · CC BY-SA 3.0

Perto dali fica o Forno, que pouca gente procura apesar de ficar à beira da estrada. A areia é curta e avermelhada, e o mar é calmo e fundo, bom para snorkel; a água é fria, como em todo o lado leste. A vizinha Foca é minúscula, entre dois paredões, e na maré baixa forma piscinas naturais.

Rua das Pedras depois das 22h e a Bardot de bronze na orla

A Rua das Pedras é só para pedestres, calçada de pedra irregular: sandália de sola fina sofre. De dia, quem anda por ela está olhando vitrine. A noite de Búzios começa tarde, depois das 22h, e o movimento se espalha pelas ruas do entorno.

Rua das Pedras de dia, ainda sem o movimento da noiteFoto: Fulviusbsas · CC BY-SA 3.0

Onde a rua encontra o píer, ela vira a Orla Bardot, o calçadão à beira da Praia da Armação que segue até a Praia dos Ossos. O nome é de 1999, homenagem a Brigitte Bardot, que passou de janeiro a abril de 1964 numa casa simples em Manguinhos com o namorado, Bob Zagury. Ela voltou no fim daquele ano, acabou cercada pela imprensa, partiu depois do Réveillon e nunca mais apareceu. Morreu em 28 de dezembro de 2025, aos 91 anos.

A Bardot de bronze, obra de Christina Motta, está sentada sobre uma mala, de frente para o mar, na Praia da Armação. Na mesma orla está outra obra da escultora, Os Três Pescadores. A Armação e a Praia dos Ossos não são boas para banho por causa do vaivém de barcos, mas a dos Ossos é o principal ponto de partida dos táxi-boats.

Escuna para conhecer, táxi-boat para ficar

São dois serviços diferentes, e muita gente troca um pelo outro.

A escuna é o passeio panorâmico. O mais comum dura duas horas e meia e sai do cais do Centro, perto da Praça Santos Dumont, com três paradas de uns 25 minutos para banho: João Fernandes, Ilha Feia e Tartaruga. Em outubro de 2026, o passeio padrão custava em torno de R$ 100 por pessoa nas agências on-line, mais uma taxa de embarque paga no cais (de R$ 4 a R$ 25, conforme a empresa; pergunte antes de comprar). Vale no começo da viagem: numa manhã, você vê a península inteira do mar e escolhe aonde voltar.

Escuna parada junto à Ilha Feia, uma das três paradas do passeioFoto: Lucas Molina · CC BY-SA 4.0

O táxi-boat é transporte. Sai do píer da Armação, no começo da Orla Bardot, da Praia dos Ossos ou de João Fernandes, e circula entre Manguinhos, Tartaruga, Armação, Azeda, João Fernandes e João Fernandinho. Cobra-se por pessoa, conforme o trecho, com pelo menos dois passageiros no barco; quem vai sozinho paga mais. Combine o valor e o horário da volta antes de embarcar. Num dia de verão, é o jeito mais tranquilo de chegar à Azeda ou a João Fernandes sem procurar vaga.

Bom saber

Com vento forte ou chuva, a Capitania dos Portos pode suspender os passeios. Se a escuna é prioridade, não deixe para o último dia.

Onde ficar em Búzios: Centro, Geribá, Ferradura ou Manguinhos

A península é pequena, mas há morro entre quase todas as praias. A escolha da base decide se você vai depender de carro.

Centro, perto da Rua das Pedras. É a base de quem não quer dirigir. Dali se vai a pé até a Praia dos Ossos, a Azeda e João Fernandes, e os táxi-boats e a escuna saem logo ali. Dá para jantar e voltar a pé. Os contras: as praias do próprio Centro não são de banho, o barulho da noite pode chegar aos quartos perto da Rua das Pedras, e o estacionamento é raro e caro.

Geribá. Para quem vai surfar ou quer praia grande na porta. O bairro tem comércio próprio, e o clima é mais jovem. A noite fica a uns 3 ou 4 km, o que significa táxi, carro por aplicativo ou as vans que circulam pela avenida principal, a José Bento Ribeiro Dantas, e deixam na entrada das ruas que descem para as praias.

Ferradura. A escolha de família, vizinha de Geribá: mar raso na frente, noites mais quietas e poucos minutos de carro até a Rua das Pedras. O lado ruim é a água fria, e o bairro não tem vida noturna.

Manguinhos. Fica na avenida principal, a uns 5 km do Centro. É o bairro do windsurfe e do kitesurfe, e lá está o Porto da Barra, um conjunto de cerca de 15 bares e restaurantes com píer para o pôr do sol. Costuma ter hospedagem mais barata que o Centro e Geribá. Mas praticamente tudo, das praias de banho à Rua das Pedras, pede carro ou táxi-boat.

Quando ir a Búzios: chuva no verão, mar frio de junho a outubro

Búzios é uma das cidades onde menos chove no estado do Rio, e a temperatura muda pouco ao longo do ano. Pela média de 30 anos do Climatempo, as máximas ficam entre 23 °C e 28 °C, e as mínimas, entre 19 °C e 24 °C.

  • Dezembro ao fim do Carnaval: alta temporada, com trânsito na entrada da cidade, fila em restaurante e praia cheia. Também é a época de mais chuva, que começa em novembro (142 mm), chega ao pico em dezembro (147 mm) e passa de 120 mm em janeiro e março, quase sempre em pancadas que não estragam o dia todo.
  • Abril e maio: o melhor equilíbrio. Chove pouco (71 e 62 mm) e as diárias começam a cair; abril ainda tem máxima de 26 °C, e maio cai para 24 °C.
  • Junho a agosto: o período mais seco, com menos de 40 mm por mês. Máximas de 23 °C e 24 °C e água bem gelada; bom para caminhar, ruim para quem só quer nadar. As férias de julho enchem a cidade de novo.
  • Setembro e outubro: pouca gente e pouca chuva (59 e 81 mm), com máximas de 24 °C e 25 °C. O ar esquenta, mas o mar ainda está no ponto mais frio do ano.

Feriados prolongados lotam Búzios em qualquer mês, especialmente Réveillon, Carnaval e Semana Santa. Nessas datas, reserve a hospedagem com antecedência e, se for de carro, confira se ela tem vaga.

Como chegar do Rio: três horas, se a Ponte deixar

De carro, são uns 175 km pela Ponte Rio-Niterói, pela BR-101 até Rio Bonito e pela Via Lagos, com pedágio. Sem trânsito, a viagem leva cerca de três horas. Na alta temporada, sair do Rio numa sexta à tarde costuma significar fila na Ponte e na Via Lagos; saia cedo.

De ônibus, a Viação 1001 tem saídas ao longo do dia da Rodoviária Novo Rio, e a viagem leva de três horas e meia a quatro. Do Galeão há ônibus direto da mesma empresa, com poucos horários por dia; compre antes no site da 1001, escolhendo o aeroporto como origem. Em Búzios, o ônibus chega ao Centro.

De avião, a alternativa é o aeroporto de Cabo Frio, a uns 35 km de Búzios, de meia hora a pouco mais de uma hora de carro, conforme o trânsito. Os voos são poucos e sazonais. A LATAM anunciou uma rota de Guarulhos a partir de dezembro de 2026, com quatro voos por semana (segundas, quintas, sextas e domingos). No verão de 2026 para 2027, a Azul anunciou voos entre Confins e Cabo Frio de 12 de dezembro a 13 de fevereiro, às terças, quartas, sextas e sábados. Confira as datas no site das companhias antes de montar a viagem. Para quem sai de outras capitais, o caminho costuma ser voar para o Rio e seguir de ônibus ou carro.

Carro dentro de Búzios ajuda fora da temporada, porque as praias ficam espalhadas pela península e nem todos os trechos dão para fazer a pé. No verão, vira problema: trânsito na avenida principal e vaga difícil perto das praias. Hospedado no Centro, dá para viver de táxi-boat, van e aplicativo.

Se a viagem começa ou termina no Rio, o roteiro de 4 dias no Rio de Janeiro ajuda a montar a outra metade.

Quantos dias ficar: três noites para os dois lados da península

Duas noites é o mínimo para não passar o tempo todo na estrada. Três noites dão conta dos dois lados da península:

  1. Dia 1, lado de dentro: a pé pela Orla Bardot até a Praia dos Ossos, escada até a Azeda, almoço em João Fernandes, táxi-boat de volta. À noite, Rua das Pedras.
  2. Dia 2, do mar: escuna de manhã, tarde no Forno e pôr do sol no píer do Porto da Barra.
  3. Dia 3, lado de fora: Geribá ou Ferradura, conforme a idade de quem vai junto, ou a Brava para quem quer onda.

Com cinco dias, sobra tempo para repetir a praia favorita e encaixar um bate-volta a Arraial do Cabo, a uns 36 km, cerca de uma hora de estrada.

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Vista aérea da Praia da Tartaruga, em Búzios, com água verde-turquesa, barcos ancorados e a península ao fundo

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