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Itacaré, Bahia

O que fazer em Itacaré: as praias a pé da cidade e as de trilha na estrada

Em Itacaré, as praias da cidade se emendam a pé numa manhã; as da estrada pedem trilha e o dia inteiro. Onde ficar, quando ir e como chegar.

Foto: Marinelson Almeida - Traveling through Brazil from Niteroi, Brasil · CC BY 2.0

A estrada que liga Itacaré a Ilhéus passa longe da areia. A BA-001, aberta em 1998 como estrada-parque, corre por dentro da Mata Atlântica: na Engenhoca, no Havaizinho e em Jeribucaçu, o carro fica na beira da estrada ou numa clareira de terra, e a caminhada pela mata leva de 15 a 30 minutos.

Por isso as praias de Itacaré se dividem em dois grupos. As da cidade são de surfe e de banho rápido, e dá para emendar quatro numa manhã, a pé. As da estrada pedem o dia inteiro, tênis e água na mochila. Para as praias da cidade e as da estrada, quatro dias bastam; com cinco ou seis, cabem o rafting e o bate-volta a Maraú sem correria.

A cidade fica na boca do rio de Contas, que desce da Chapada Diamantina. De um lado da foz estão a orla da Coroa e a Rua Pituba; do outro, a Praia do Pontal, aonde se vai de barco.

Da Concha à Ribeira: as praias que se alcançam a pé do centro

São cinco praias em fila, separadas por pontas de pedra, a partir da foz do rio. A primeira é de mar calmo; nas outras, manda a onda.

Concha. É a mais perto do centro e concentra as pousadas e os restaurantes pé na areia. É a escolha de quem viaja com criança. Na areia se alugam prancha de stand-up e caiaque. O pôr do sol se vê da Ponta do Xaréu, no canto esquerdo.

A Praia da Concha, a de mar mais calmo, vista das pedras da pontaFoto: Samory Pereira Santos from Salvador, Brazil · CC BY-SA 2.0

Resende. Pequena, com quiosques simples e sombra, e piscinas entre as pedras na maré baixa. Tem onda para surfe. Da Tiririca se chega por uma trilha de 5 minutos sobre as pedras.

Tiririca. É a praia do surfe em Itacaré. A faixa de areia é curta, as ondas quebram sobre fundo de areia e o pico recebe campeonatos com frequência, inclusive uma etapa do circuito de acesso da liga mundial, a WSL, em 2017. Há estacionamento perto, pousadas e uma pista de skate.

A Tiririca, a praia de surfe de Itacaré e sede de campeonatosFoto: MikutoH · CC BY-SA 4.0

Costa. Fica entre a Tiririca e a Ribeira, sem quiosque e quase sempre vazia. A corrente é forte e as ondas, perigosas a ponto de os próprios surfistas evitarem. É praia para caminhar e olhar de fora.

Ribeira. Cercada de mata e sem pousada na areia, tem onda para surfe e serve também para banho. O estacionamento em frente é pequeno e enche cedo no verão. É daqui que sai a trilha para a Prainha.

Prainha: 40 minutos de mata a partir da Ribeira

A Prainha, para muita gente a praia mais bonita perto da cidade, é cercada de morros de mata, com onda forte no canto esquerdo e um ou outro quiosque de bebida. Não há estrada pública até ela: são 40 minutos de trilha a partir do canto da Ribeira, por mata fechada.

O guia não é obrigatório, mas a trilha não é sinalizada e tem muitas bifurcações. Há guias esperando no estacionamento da Ribeira; o conselho de quem conhece a cidade é combinar o guia antes, numa agência do centro, e não com quem aborda na entrada. Até 2013, os assaltos nesse caminho eram frequentes; hoje são raros, mas não vá sozinho, e vá cedo.

Há um atalho de 10 minutos por dentro do condomínio vizinho, liberado para quem paga o day use de um restaurante de lá, com reserva por telefone. Quem segue além da Prainha chega à Praia de São José, em frente a um resort e a esse condomínio.

Trilha das Quatro Praias: Engenhoca, Havaizinho, Camboinha e Itacarezinho

O nome confunde: a Trilha das Quatro Praias não tem nada a ver com as quatro praias de surfe da cidade. A entrada fica uns 12 km ao sul do centro, na beira da BA-001, e dali são 4 km de mata, quase todo plano, com subidas e descidas curtas perto das praias.

Logo depois da entrada, a trilha se divide; o ramo da direita segue até Itacarezinho:

  • À esquerda, a Engenhoca, a 20 minutos. É a favorita dos surfistas, com ondas fortes, um riozinho de água doce na frente, bom para banho, e dois quiosques simples que alugam cadeira e guarda-sol.
  • À direita, o Havaizinho, a 15 minutos, e a Camboinha, a 25. O Havaizinho tem faixa de areia curta, mar em geral mais manso que o da Engenhoca e barracas simples na alta temporada; a Camboinha é pequena, sem quiosque, com piscinas na maré baixa.
  • Itacarezinho fecha o percurso. É longa, de mar mais calmo e água mais quente. A estrutura se resume a um restaurante, com espreguiçadeiras e estacionamento pagos, e a um resort no meio da praia, mas a areia é pública. De carro, ou se paga o estacionamento do restaurante, junto da areia, ou se para na beira da estrada e se encara uma ladeira íngreme de uns 15 minutos.
Itacarezinho, o fim da Trilha das Quatro PraiasFoto: Teles · Public domain

Sem agência, o problema é o carro: o estacionamento na entrada é improvisado e cabe pouca gente. Quem não acha vaga acaba parando no acostamento da rodovia, numa estrada de curvas e sem calçada. Chegue antes das 9h.

Na mesma estrada, mais perto da cidade, fica Jeribucaçu, a mais vazia e a de acesso mais longo: 4 km de terra a partir da BA-001 e mais 30 minutos de trilha plana, que vira lama com chuva. O carro fica em estacionamentos particulares no fim da terra, e não precisa de guia. Da praia, outra trilha de 40 minutos leva à Cachoeira da Usina, que também se alcança por um caminho de 15 minutos a partir da rodovia.

O rio de Contas: barco até o Cleandro e rafting em Taboquinhas

O rio de Contas diante da orla de ItacaréFoto: Marinelson Almeida - Traveling through Brazil from Niteroi, Brasil · CC BY 2.0

De lancha, rio acima. O passeio sobe o rio pelo manguezal até a Cachoeira do Cleandro, uma queda de 26 m com poços para banho, em terreno particular. Na volta, para na Praia do Pontal, do outro lado da foz. Em outubro de 2026, o passeio de agência saía a R$ 170 por pessoa, em 4 horas, mais R$ 25 de ingresso na cachoeira.

Rafting em Taboquinhas. O distrito de Taboquinhas fica rio acima, a 45 minutos de van, parte por estrada de terra. A descida tem 3 km de corredeiras classe 3 e 4, em cerca de uma hora e meia de remo, e termina na mais forte, o Salto da Pancada. Em outubro de 2026, o pacote com transporte de Itacaré custava R$ 230 por pessoa, em 5 horas no total. A força das corredeiras depende da chuva na cabeceira; pergunte ao operador como está o nível do rio na semana.

Fim de tarde na beira do rio de ContasFoto: Vinicius Cunha · CC BY-SA 3.0

Para cachoeira com estrutura, a mais procurada é a do Tijuípe, já no município de Uruçuca, a uns 8 km de Itacarezinho. É uma reserva com restaurante e entrada paga, e muitas agências a juntam à Trilha das Quatro Praias.

Península de Maraú: Taipu de Fora em um dia longo ou com pernoite

Ao norte, do outro lado do rio, começa a Península de Maraú, com Barra Grande na ponta e as piscinas de Taipu de Fora no meio do caminho. São 66 km de estrada, mas a viagem é lenta.

  • Por estrada: a BR-030 chega a Barra Grande com um trecho longo de terra, esburacado, que pode ficar intransitável com chuva para carro sem tração. Conte com duas horas. Na entrada da península, o carro paga uma taxa própria, de R$ 20 a R$ 40 pelo porte (valores de 2024).
  • Por Camamu: ônibus de Itacaré a Camamu, em cerca de uma hora, e lancha rápida pela baía até Barra Grande, em cerca de 30 minutos (os barcos lentos levam de uma hora a uma hora e meia). Quem está de carro pode deixá-lo num estacionamento particular em Camamu.
  • Com agência: em outubro de 2026, o passeio de um dia saindo de Itacaré custava R$ 300 por pessoa, com 11 horas de duração, passando por Taipu de Fora e pelas ilhas da Pedra Furada e do Goió, na Baía de Camamu.

Fora do preço do passeio ficam o ingresso de Taipu de Fora, que a agência lista a R$ 40, e a taxa municipal de Maraú, de R$ 20 por pessoa, cobrada de todo mundo na chegada à península, com agência ou sem (valores de outubro de 2026).

As piscinas de Taipu de Fora, na Península de Maraú, na maré baixaFoto: Otávio Nogueira from Fortaleza, BR · CC BY 2.0

As piscinas de Taipu só aparecem bem na maré baixa das semanas de lua cheia e de lua nova. Se for de passeio, confira a tábua antes de pagar. Com tempo, vale mais dormir duas noites em Barra Grande do que passar 11 horas no bate-volta. E quem quer seguir viagem para o norte tem Morro de São Paulo mais acima, no mesmo litoral.

Onde ficar em Itacaré: Pituba, Concha ou a estrada para Ilhéus

A cidade é pequena e quase tudo no centro se faz a pé.

Na Pituba e perto da Tiririca. A Rua Pituba é calçada e bem iluminada, e nela ficam os restaurantes, as lojas, as agências de passeio e os bares que seguem até tarde. Dormir ali dispensa carro: a Concha fica a poucos minutos a pé, e a Resende e a Tiririca, o pico de quem vem surfar, a um pouco mais. O lado ruim é o som e o movimento de carros na alta temporada; nas ruas laterais é mais quieto. Muitas ruas em volta são de terra e viram lama com chuva.

Na Concha. Pé na areia, no mar de banho, com boa parte das ruas já calçadas e a Pituba a uma caminhada de distância para jantar. É a base mais equilibrada para família e para quem quer dormir cedo.

Na estrada para Ilhéus. Ao longo da BA-001, até Itacarezinho, a 15 km do centro, há pousadas e casas espalhadas pela mata, perto das praias da trilha. É silencioso, mas tudo depende de carro, inclusive o jantar.

Quando ir: setembro e outubro, com pouca chuva e cidade vazia

Faz calor o ano inteiro, com máximas de 24 °C a 28 °C, e chove em todos os meses. Pelas médias do Climatempo para Itacaré, abril é o mês mais chuvoso, com 140 mm, e maio, junho e julho ficam entre 118 e 128 mm. Novembro também é molhado, com 139 mm. O trecho mais seco vai de agosto a outubro, e setembro, com 78 mm, é o melhor mês.

Para o surfe, a conta é outra. Guias de viagem costumam apontar o período de abril a outubro como o de ondulação mais regular; tirando julho, é também o mais vazio.

Com chuva, as trilhas de Jeribucaçu e da Prainha ficam escorregadias e a estrada para Maraú pode fechar. Réveillon, Carnaval e julho são os períodos mais cheios e caros; com data livre, prefira setembro ou outubro.

Como chegar: pelo aeroporto de Ilhéus ou pelo ferry de Salvador

De Ilhéus. O aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus, é o mais próximo: Itacaré fica a uns 65 km do centro de Ilhéus e a uns 75 km do aeroporto, cerca de 1h15 de carro pela estrada-parque. A empresa Rota faz o ônibus da rodoviária de Ilhéus até Itacaré, com saídas ao longo do dia e viagem de cerca de 2 horas. Do aeroporto à rodoviária, é preciso pegar táxi.

De Salvador. O caminho mais curto passa pelo ferry de São Joaquim até Bom Despacho, na Ilha de Itaparica (cerca de 1 hora de travessia), e segue por uns 235 km de estrada, em umas 4 horas. Em feriado, a fila do ferry para carros já passou de três horas. Há ônibus de Bom Despacho a Itacaré, em cerca de 5 horas. Sem ferry, pela BR-101, são de 360 a 390 km.

Carro ou não. Para ficar no centro e fazer passeios com agência, dá para viver sem carro. Para as praias da estrada no seu horário, ele faz falta, e a alternativa é o táxi combinado na ida e na volta.

Sem caixa de som nem consumação mínima: as regras da areia

Desde dezembro de 2024, um decreto municipal proíbe nas praias de Itacaré caixa de som, bebida em garrafa de vidro, churrasco, piquenique e preparo de comida, além de barraca e acampamento. Animais só com tutor e coleira. A multa pode chegar a R$ 20 mil.

Desde janeiro de 2026, outro decreto proíbe as barracas de praia de exigir consumação mínima para usar cadeira, mesa e guarda-sol. Se alguém cobrar, o decreto prevê multa e até perda do alvará.

Nas praias de trilha, leve dinheiro em espécie para os quiosques e água para a volta, que é em subida na maior parte das trilhas.

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Praia da Engenhoca, em Itacaré, com coqueiros inclinados sobre a areia clara, ondas à esquerda e um morro coberto de mata ao fundo

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