Tóquio, Kyoto e Osaka, Japão
Roteiro de 10 dias no Japão: Tóquio, Hakone, Kyoto, Nara e Osaka sem JR Pass
Tóquio, Hakone, Kyoto, Nara e Osaka em 10 dias, só para o oeste: por que o JR Pass não se paga, onde ficar, o que reservar antes e quando ir.
Às 7h, o Senbon Torii de Kyoto ainda está quase vazio: dois corredores de portais laranja subindo a encosta e o som de passos nas pedras. Às 10h, o mesmo trecho vira fila. Em dez dias de Japão, muita coisa se decide assim, no relógio, e o resto antes de embarcar: qual trem pegar, onde dormir, o que comprar com semanas de antecedência e se o JR Pass ainda vale o que custa.
A rota abaixo é a clássica da primeira viagem: Tóquio, uma noite opcional em Hakone, Kyoto, Nara e Osaka, com a volta pelo aeroporto de Kansai. Como ela só anda para o oeste, sem voltar a Tóquio, o JR Pass perde o sentido. São dez noites no Japão; o voo de volta sai de Kansai no 11º dia.
Antes de tudo: visto, voo e o JR Pass
Brasileiro não precisa de visto
Desde 30 de setembro de 2023, brasileiro com passaporte comum com chip entra no Japão sem visto para estadias de até 90 dias (turismo, negócios, visita a parentes). A isenção foi prorrogada em julho de 2026 e vale até 29 de setembro de 2029. Ela não vale para trabalho. No site Visit Japan Web, do governo japonês, dá para preencher antes os formulários de imigração e alfândega.
Não há voo direto do Brasil. Compre a passagem como multidestino, chegando a Tóquio e saindo de Osaka (Kansai): é o que faz o roteiro funcionar sem voltar a Tóquio. Na escala, atenção: conexão nos Estados Unidos exige visto americano, mesmo sem sair do aeroporto. Pela Europa ou pelo Oriente Médio, em geral basta o passaporte; confirme com a companhia.
O JR Pass deixou de compensar nessa rota
O passe nacional de trem de 7 dias custava 29.650 ienes, comprado fora do Japão, até setembro de 2023. Desde outubro daquele ano, custa 50.000 ienes no site oficial (53.000 em agências), e o Nozomi, o trem mais rápido e frequente, ainda pede um suplemento de 4.960 ienes de Tóquio a Kyoto.
O trecho caro do roteiro é um só: Tóquio–Kyoto de Shinkansen, que custa 13.320 ienes em assento livre ou cerca de 14.000 com reserva, segundo o Japan Guide. São 50.000 ienes de passe contra uns 14.000 de passagem. Neste roteiro, Hakone, Nara e o aeroporto de Kansai saem por linhas privadas (Odakyu, Kintetsu e Nankai), mais diretas que a JR e fora do passe. O passe só se paga com distâncias longas em poucos dias, como Tóquio, Hiroshima e Kanazawa na mesma semana.
Bom saber
Compre os trechos de Shinkansen avulsos, na máquina da estação ou no aplicativo oficial da linha. Indo para Kyoto, peça o assento E: é a janela do lado do monte Fuji, se o tempo deixar.
Suica, ICOCA e cartão por aproximação
Para metrô, trem local e ônibus, use um cartão recarregável: Suica (de Tóquio) e ICOCA (de Kansai) valem nas duas regiões. O Welcome Suica, para turistas, sai nos aeroportos de Tóquio e em poucos outros pontos, sem caução nem reembolso, e vale quatro semanas. Quem tem iPhone pode criar um Suica na Carteira do celular ou usar o aplicativo Welcome Suica Mobile, que vale 180 dias. O cartão de crédito por aproximação abre catraca no metrô de Tóquio, mas não na JR: tenha o Suica.
Dias 1 a 4: Tóquio, do Sensoji ao Shibuya Sky
Onde ficar em Tóquio: perto da linha Yamanote
Em Tóquio, o que organiza a cidade é a linha Yamanote, a circular verde da JR: fique a poucos minutos a pé de uma estação dela.
- Shinjuku: o maior entroncamento, com vida noturna e o Romancecar para Hakone saindo da estação.
- Shibuya: o cruzamento famoso e as compras. Barulhento e caro.
- Asakusa e Ueno: mais baratos e calmos, com o Skyliner para Narita saindo de Ueno, mas a uns 30 minutos de metrô de Shibuya.
- Ginza e estação de Tóquio: região elegante, perto do Shinkansen e dos voos de Haneda. Em volta da estação, a rua esvazia cedo à noite.
Dia 1: chegada
Do aeroporto de Narita, o Narita Express leva cerca de uma hora até a estação de Tóquio por 3.140 ienes (a ida simples basta, porque a volta é por Osaka). De Haneda, são 15 a 20 minutos até a linha Yamanote: o trem Keikyu vai a Shinagawa por 330 ienes, e o monotrilho, a Hamamatsucho por 520. Saque ienes e compre ou carregue o Suica. Contra o fuso, fique acordado até a noite e jante numa das vielas de Omoide Yokocho, em Shinjuku.
Dia 2: Asakusa, Ueno e Akihabara
Primeira manhã de despertador: chegue ao Sensoji antes das 8h. O pátio fica sempre aberto, e cedo a Nakamise, a rua de barracas que leva ao portão Kaminarimon, ainda está com as portas baixas. Depois, caminhe até Ueno e escolha um dos museus do parque, como o Museu Nacional de Tóquio, que fecha às segundas. À tarde, Akihabara, dos eletrônicos, do mangá e dos fliperamas.
Dia 3: Meiji Jingu, Harajuku e Shibuya
O santuário Meiji fica num bosque fechado no meio da cidade: o barulho da avenida some depois do primeiro portão de madeira. Saia por Harajuku e siga pela avenida Omotesando até Shibuya, uns 20 minutos a pé. Termine no Shibuya Sky, o mirante do prédio Shibuya Scramble Square, com ingresso marcado para o pôr do sol.
Dia 4: Tsukiji, Toyosu e Ginza
Comece pelo mercado externo de Tsukiji, com peixe no café da manhã (muitas lojas fecham às quartas e aos domingos). Depois, o teamLab Planets, em Toyosu, a exposição imersiva em que você anda descalço na água. Horário e preço variam conforme a data; compre antes, para um horário. À tarde, Ginza e os andares de comida no subsolo das lojas de departamento.
Fã de Miyazaki pode trocar a manhã pelo Museu Ghibli, em Mitaka: os ingressos, com dia e horário, saem no dia 10 do mês anterior, no site da Lawson Ticket.
Dia 5 (opcional): uma noite de banho termal em Hakone
Hakone é a pausa do roteiro: uma noite em pousada tradicional com banho termal e, com sorte, vista do Fuji. O Romancecar da Odakyu sai de Shinjuku e chega a Hakone-Yumoto em cerca de 80 minutos, por 2.470 ienes. O Hakone Freepass cobre por dois ou três dias trens, ônibus, funicular, teleférico e barco da região. Como a viagem segue de Odawara para Kyoto, sem voltar a Tóquio, compre a versão que sai de Odawara (6.000 ienes por dois dias); a que sai de Shinjuku (7.100) inclui uma volta que não será usada.
Bom saber
Mande a mala grande de Tóquio direto para o hotel de Kyoto (a recepção cuida disso, e ela chega em um ou dois dias) e vá para Hakone só com uma mochila.
O circuito clássico leva o dia: trem de montanha até Gora, funicular, teleférico sobre o vale fumegante de Owakudani e barco pelo lago Ashi até Moto-Hakone, onde o portal vermelho do santuário de Hakone fica dentro da água. O Fuji aparece mais no inverno; no verão, costuma se esconder nas nuvens.
Bom saber
Muitos banhos termais recusam quem tem tatuagem. Nesse caso, procure pousada com banho privativo no quarto.
Sem Hakone, fique mais um dia em Tóquio ou faça um bate-volta a Kamakura.
Dias 6 a 8: Kyoto, de Gion ao bambuzal de Arashiyama
Dia 6: de Hakone para Kyoto
Desça de ônibus ou trem até Odawara e pegue o Shinkansen para Kyoto: só os trens Kodama e alguns Hikari param lá, então confira o horário. De Odawara a Kyoto, o Hikari leva cerca de 2 horas e o Kodama, quase 3. Quem pulou Hakone sai de Tóquio no Nozomi, em cerca de 2h15.
Bom saber
Mala grande pede reserva. No Tokaido Shinkansen, bagagem cuja soma de altura, largura e profundidade passa de 160 cm exige um assento reservado na última fileira do vagão, com espaço atrás. Sem reserva, o condutor cobra 1.000 ienes. Acima de 250 cm, a mala não entra no trem.
À tarde, ande por Gion, o bairro das gueixas, entre a avenida Shijo e o santuário Yasaka. Depois de anos de turistas perseguindo gueixas com o celular, várias ruelas privadas foram fechadas para visitantes, com placas de proibido entrar e de proibido fotografar; a multa anunciada é de 10.000 ienes. A rua principal, Hanamikoji, segue aberta. À noite, jante numa das casas estreitas da Pontocho, a viela paralela ao rio Kamo.
Onde ficar em Kyoto: estação ou Gion
- Perto da estação de Kyoto: a escolha prática, com Shinkansen e trem para Nara na porta, mas a área esvazia à noite.
- Kawaramachi, Shijo e Gion: restaurantes, bares e Higashiyama a pé. Mais caro e cheio, a uns 15 minutos de transporte da estação.
Kyoto cobra imposto de hospedagem por pessoa e por noite, com valores novos desde 1º de março de 2026, segundo a prefeitura. A faixa usa a diária por pessoa:
- abaixo de 6.000 ienes: 200 ienes;
- de 6.000 a menos de 20.000: 400;
- de 20.000 a menos de 50.000: 1.000;
- de 50.000 a menos de 100.000: 4.000;
- 100.000 ou mais: 10.000.
Um quarto de 30.000 ienes para dois dá 15.000 por pessoa, ou seja, 400 ienes de imposto para cada um.
Dia 7: Fushimi Inari e Higashiyama
É a manhã da abertura: saia às 6h30. O Fushimi Inari fica a cinco minutos de trem da estação de Kyoto pela linha JR Nara, abre o tempo todo e não cobra entrada. Subir até o topo e voltar leva de duas a três horas, mas o trecho mais bonito está na primeira meia hora.
No fim da manhã, pegue o trem Keihan até Kiyomizu-Gojo e suba uns 20 minutos a pé até o Kiyomizudera, o templo com o grande terraço de madeira sobre a encosta (abre às 6h e fecha entre 18h e 18h30, conforme a época; 500 ienes). Desça pelas ladeiras de pedra de Sannenzaka e Ninenzaka até o Yasaka.
Dia 8: Arashiyama e o Pavilhão Dourado
O bambuzal de Arashiyama, no oeste da cidade, só vale cedo: às 8h, ainda dá para ouvir o vento nas hastes. Da estação de Kyoto, a linha JR Sagano chega a Saga-Arashiyama em 15 minutos. O templo Tenryuji e seu jardim ficam ao lado do bambuzal, e a ponte Togetsukyo, a poucos minutos a pé. À tarde, o Kinkakuji, o Pavilhão Dourado (das 9h às 17h, 500 ienes): até lá, o jeito é ônibus ou táxi, uns 30 minutos.
Bom saber
Os ônibus de Kyoto vivem lotados. Sempre que der, prefira metrô e trem.
Dia 9: os cervos de Nara e a chegada a Osaka
Antes de sair de Kyoto, mande a mala direto para o hotel de Osaka ou deixe-a num armário da estação de Nara. De Kyoto, o trem expresso da Kintetsu chega à estação Kintetsu Nara em 35 minutos (1.280 ienes, com reserva) ou 45 minutos (760 ienes, sem). Ao lado da estação, no parque de Nara, os cervos andam soltos e se curvam por biscoito, e mordem ou empurram quem demora a entregar.
O Todaiji guarda um Buda de bronze de 15 metros dentro de um dos maiores edifícios de madeira do mundo (das 7h30 às 17h30 de abril a outubro, das 8h às 17h de novembro a março; 800 ienes). Depois, siga a pé até o santuário Kasuga Taisha e suas lanternas de pedra.
No fim da tarde, a mesma Kintetsu leva de Nara a Osaka-Namba, no centro de Osaka, em menos de uma hora.
Onde ficar em Osaka: Namba ou Umeda
- Namba (Minami): Dotonbori, comida de rua, a chegada da Kintetsu vinda de Nara e o trem Rapi:t para o aeroporto de Kansai. Barulhento até tarde.
- Umeda (Kita): o entroncamento da JR, com prédios novos e lojas de departamento. A estação do Shinkansen fica a uma parada.
Dia 10: castelo e comida de rua em Osaka
De manhã, o Castelo de Osaka (das 9h às 17h, até mais tarde em algumas épocas; 1.200 ienes), uma reconstrução moderna com museu dentro e o parque em volta.
O resto do dia é comer. No almoço, o mercado de Kuromon, perto de Namba. À noite, Dotonbori, com as placas de neon refletidas no canal e três clássicos da cidade: takoyaki (bolinho de polvo), okonomiyaki (panqueca de repolho na chapa) e kushikatsu (espetinho empanado).
No dia 11, o Rapi:t leva de Namba a Kansai em cerca de 40 minutos; chegue ao aeroporto três horas antes do voo.
O que reservar antes de embarcar
- A pousada de Hakone, se for na alta temporada ou num fim de semana.
- Shibuya Sky para o pôr do sol e teamLab Planets, ambos com horário.
- Museu Ghibli, no dia 10 do mês anterior.
- Shinkansen, com mala grande ou em feriado.
Quando ir: cerejeiras, folhas vermelhas e os feriados japoneses
A época mais disputada é a das cerejeiras. Em 2026, o melhor momento foi de 28 de março a 4 de abril em Tóquio e de 29 de março a 5 de abril em Kyoto, segundo o acompanhamento do Japan Guide. As datas mudam de ano para ano, e a viagem se marca antes de qualquer previsão: escolha a primeira semana de abril e aceite o risco.
O outono é a segunda temporada alta. Para 2026, a previsão da Japan Meteorological Corporation, de setembro, punha o auge das folhas do fim de novembro ao começo de dezembro em Tóquio e um pouco depois em Kyoto, atrasado pelo calor. Hospedagem em Kyoto, em abril e no fim de novembro, se reserva com meses de antecedência.
Evite a Golden Week (fim de abril e começo de maio) e o Obon, em meados de agosto, quando trem, hotel e templo lotam. O verão é quente e úmido, com a estação de chuvas de junho a meados de julho. O inverno é frio e seco, com as menores filas do ano, exceto na virada do ano, quando muita coisa fecha.
Dinheiro vivo, tomada, eSIM e terremotos
Restaurante pequeno, barraca de templo e máquina de ingresso ainda pedem dinheiro. Ande com uns 10.000 ienes na carteira e saque nos caixas do 7-Eleven, que aceitam cartão estrangeiro. Gorjeta não se dá, nem em restaurante nem em táxi.
As compras sem imposto mudam em 1º de novembro de 2026. A partir daí, o turista paga o preço cheio na loja e pede a devolução do imposto ao sair do país: a alfândega confere as compras (nos grandes aeroportos, também pelo Visit Japan Web), e o valor volta depois, no cartão. Vale para compras a partir de 5.000 ienes na mesma loja e no mesmo dia, com os produtos na bagagem de mão ou despachados depois da conferência.
A tomada é do tipo A, de dois pinos chatos, em 100 V. Leve adaptador; carregadores de celular e notebook costumam aceitar 100 V. Um eSIM japonês comprado antes da viagem resolve a internet desde o desembarque.
O fuso é de 12 horas à frente de Brasília, o ano todo. O país é muito seguro; o risco real é o natural. Terremotos acontecem, e o aplicativo oficial Safety Tips, da Agência de Turismo do Japão, manda alertas em inglês.
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