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Madri, Espanha

O que fazer em Madri: Prado de graça no fim da tarde, onde ficar e Toledo e Segóvia de trem

Em Madri, o Prado é de graça no fim da tarde e o jantar começa às 21h. Em que bairro ficar, onde comer tapas e como chegar a Toledo e Segóvia de trem.

Foto: Wenjie, Zhang | A Certain Slant of Light · CC BY 2.0

Às 18h, de segunda a sábado, o Prado para de cobrar os €15 da entrada. Uma hora depois, o Reina Sofía, a dez minutos de caminhada, faz o mesmo. Madri vive com o relógio atrasado: almoço às duas, jantar depois das nove.

Quem entra nesse fuso economiza e come melhor. Três dias inteiros dão conta do centro, dos três grandes museus e do Retiro. Com cinco, sobram dois para Toledo e Segóvia, de trem.

A Puerta de Velázquez, entrada do Prado pelo Paseo del PradoFoto: Emilio J. Rodríguez Posada · CC BY-SA 2.0

Prado, Reina Sofía e Thyssen: o horário em que cada um é de graça

Os três ficam em menos de um quilômetro, ao longo do Paseo del Prado.

Prado. Abre das 10h às 20h de segunda a sábado e das 10h às 19h aos domingos e feriados. A entrada custa €15. É de graça de segunda a sábado das 18h às 20h e, aos domingos e feriados, das 17h às 19h, segundo a prefeitura de Madri. A fila se forma antes das 18h.

Duas horas não bastam para o museu inteiro. Dão para As Meninas, de Velázquez, as pinturas negras de Goya e O Jardim das Delícias, de Bosch, se você entrar com o mapa já marcado.

Reina Sofía. O museu de arte moderna e contemporânea, onde fica o Guernica, de Picasso. Fecha às terças. A entrada custa €12. Na segunda e de quarta a sábado, é gratuita das 19h às 21h; no domingo, o museu fecha às 14h30 e não cobra a partir das 12h30.

Bom saber

No Reina Sofía, até o horário gratuito exige ingresso, reservado antes no site do museu.

Thyssen-Bornemisza. A antiga coleção do barão Thyssen, comprada pelo Estado espanhol em 1993, vai da pintura europeia do século 13 ao 20. A entrada custa €14. A coleção é de graça às segundas, quando abre só das 12h às 16h, sem reserva. No sábado, o museu fica aberto até as 23h, e das 21h às 23h as exposições temporárias não cobram. Nos outros dias, abre das 10h às 19h (em julho e agosto, de terça a sexta, até as 21h).

Quem prefere pagar e escolher o horário tem o Abono Paseo del Arte, que vale uma entrada em cada um: €32,80, segundo o Thyssen, contra €41 dos três ingressos avulsos.

Em que bairro ficar: de Sol, no meio de tudo, a Salamanca, onde a rua dorme cedo

O centro se percorre a pé e o metrô roda até 1h30, então quase todo bairro central funciona. O que muda é o barulho da noite.

Centro e Sol. A Puerta del Sol é o marco zero das estradas espanholas, com três linhas de metrô e estação de Cercanías. Dali se anda até o Palácio Real, a Plaza Mayor e os museus. O preço é a multidão na Calle Preciados, restaurante de cardápio com foto e batedor de carteira na praça. Peça quarto de fundos.

A Plaza Mayor numa noite de janeiro de 2026Foto: Javier Perez Montes · CC BY-SA 4.0

Malasaña. Bairro jovem ao norte da Gran Vía, de bares pequenos, brechós e cafés. A Plaza del Dos de Mayo enche nas noites de verão. Bom para quem sai à noite e quer gastar um pouco menos do que em Sol; ruim para quem dorme cedo, principalmente de quinta a sábado.

Chueca. O bairro gay de Madri, vizinho de Malasaña, é de bares, lojas e do Mercado de San Antón. Na semana do Orgulho, no começo de julho, as ruas viram pista até de madrugada. Para essa data, reserve com meses de antecedência, porque os preços sobem.

La Latina. O bairro mais antigo, de ruas tortas que descem do Palácio Real. Tem as tapas da Cava Baja e o Rastro, a feira de domingo, das 9h às 15h, que desce da Plaza de Cascorro à Ronda de Toledo. Os prédios antigos muitas vezes não têm elevador, há ladeira e, no sábado à noite e no domingo, o barulho vem dos bares.

Lavapiés. Bairro de imigrantes ao sul de Sol, com restaurantes indianos e senegaleses baratos e o Reina Sofía na ponta de baixo. Costuma ter os preços mais baixos do centro. Em troca, tem ladeiras, e alguns trechos em volta da Plaza de Lavapiés têm venda de droga à noite; antes de reservar, confira em que rua fica o endereço.

As duas opções caras e silenciosas ficam em volta do Retiro. Salamanca, ao norte do parque, é o bairro em grade do século 19, com a Calle Serrano e as lojas de grife, seguro e bem servido de metrô; a vida noturna fica a uns 20 minutos de caminhada. Jerónimos, entre o parque e o Prado, tem poucas ruas e pouca oferta de hospedagem, mas põe os museus na porta e Atocha, de onde saem os trens para Toledo, a poucos minutos.

O Retiro, o Palácio Real de graça no fim da tarde e o pôr do sol no Templo de Debod

O Retiro foi jardim da corte e hoje é o quintal de Madri: alamedas, o lago grande com barcos a remo e, do outro lado da água, a colunata do monumento a Alfonso XII. O Palácio de Cristal, estufa de ferro e vidro de 1887, está fechado para restauro, coberto por uma lona que a artista peruana Andrea Canepa transformou em obra, em exibição até 1º de janeiro de 2027. A reabertura está prevista para meados de 2027.

O lago grande do Retiro e o monumento a Alfonso XIIFoto: Javier Perez Montes · CC BY-SA 4.0

Do outro lado do centro fica o Palácio Real, residência oficial da monarquia. A entrada custa €18. Cidadãos ibero-americanos, o que inclui brasileiros, não pagam no fim da tarde, segundo o Patrimonio Nacional. A bilheteria para de vender uma hora antes do fechamento, e a fila começa antes do início do horário gratuito. O palácio pode fechar sem aviso por ato oficial.

Bom saber

Horário grátis para brasileiros: de segunda a quinta, das 16h às 18h (outubro a março) ou das 17h às 19h (abril a setembro), com passaporte e ingresso só na bilheteria.

Saindo do palácio, são uns 15 minutos a pé até o Templo de Debod, santuário egípcio doado à Espanha e remontado num parque. Do alto do parque, o palácio que você acabou de deixar e a catedral de Almudena aparecem acima dos telhados, e é dali que se vê o pôr do sol.

Almoço às 14h, jantar às 21h e as tapas da Cava Baja

O almoço vai das 14h às 16h, e nos dias úteis é a hora do menú del día, com entrada, prato e sobremesa a preço fechado. Muitas cozinhas fecham das 16h às 20h30, e o jantar dos madrilenhos começa depois das 21h.

A Cava Baja, em La Latina, tem bar de tapa porta sim, porta não. Na Casa Lucio, aberta em 1974, o prato é o huevos estrellados (em outros bares, huevos rotos): batata frita em azeite com ovos fritos por cima, rompidos na mesa. No domingo, depois do Rastro, os bares da região enchem para o vermute.

Em Madri, alguns bares ainda servem um petisco de cortesia com a caña, o chope pequeno. Dois clássicos baratos: o sanduíche de lula frita, o bocadillo de calamares, nos bares em volta da Plaza Mayor, e o chocolate quente com churros da Chocolatería San Ginés, que funciona desde 1894.

Toledo e Segóvia em bate-volta: meia hora de trem para cada uma

Faça um por dia. Toledo pede o dia inteiro; Segóvia cabe numa manhã e um almoço.

Toledo. Os trens Avant saem de Madrid-Puerta de Atocha-Almudena Grandes, a estação de Atocha, e levam cerca de 33 minutos. O lugar é marcado e os trens de fim de semana lotam: compre a passagem antes.

A estação de Toledo fica do outro lado do Tejo, fora da muralha: ônibus urbanos sobem até a Plaza de Zocodover, e a pé são uns 20 minutos de subida. Lá em cima estão a Catedral Primada, a sinagoga de Santa María la Blanca e O Enterro do Conde de Orgaz, de El Greco, na igreja de Santo Tomé.

Toledo vista do outro lado do Tejo, com o rio contornando a cidadeFoto: Misburg3014 · CC BY-SA 3.0

Segóvia. Os trens de alta velocidade saem de Chamartín-Clara Campoamor e chegam em uns 30 minutos à estação Segovia-Guiomar, a uns 6 km do centro. O ônibus 11 deixa ao pé do aqueduto romano em cerca de 15 minutos. O ônibus da Avanza, que sai de Moncloa, leva de 1h15 a 1h20 e para na cidade.

Do aqueduto, a rua principal sobe até a catedral e termina no Alcázar. O prato da cidade é o cochinillo, leitão assado.

O aqueduto de Segóvia, com a serra de Guadarrama no horizonteFoto: Diego Delso · CC BY-SA 4.0

Para ir mais longe, os trens de alta velocidade seguem para Sevilha, Córdoba e Granada, como no roteiro pela Andaluzia, e para Barcelona, em duas horas e meia.

Do aeroporto ao centro: metrô, trem ou ônibus 24 horas

  • Metrô, linha 8. Sai do T4 e do T2 (a pé desde o T1 e o T3) e vai até Nuevos Ministerios, onde se troca de linha. O bilhete simples a partir do aeroporto custa de €4,50 a €5, conforme o número de estações (até Sol, €5), já com o suplemento de €3, e vai num cartão recarregável Multi, de €2,50.
  • Trem de Cercanías, linhas C1 e C10. Só sai do T4 e para em Chamartín, Recoletos e Atocha; até Atocha leva uns 25 minutos e custa cerca de €2,60, pagos no torniquete com cartão por aproximação.
  • Ônibus Exprés Aeropuerto (203). Funciona 24 horas e liga os terminais T1, T2 e T4 a O'Donnell, Cibeles e Atocha (de madrugada, termina em Cibeles). Custa €5,10, pagos ao motorista em dinheiro ou cartão, e leva uns 40 minutos.
  • Táxi. Tarifa fixa de €33 entre o aeroporto e qualquer endereço dentro do anel viário M-30, sem suplemento de bagagem ou de horário.

Na cidade, o bilhete de 10 viagens, que vale para metrô e ônibus da EMT, sai por €7,30 em 2026, com o desconto de 40% que a Comunidade de Madri e o governo espanhol mantêm até 31 de dezembro de 2026.

Voos diretos do Brasil: de São Paulo, Rio, Salvador, Recife e Fortaleza

A Iberia voa de Guarulhos, do Galeão, de Recife e de Fortaleza; as rotas do Nordeste começaram em dezembro de 2025 (Recife) e janeiro de 2026 (Fortaleza). A LATAM voa de Guarulhos; a Air Europa, de Guarulhos e, três vezes por semana, de Salvador. De São Paulo, são cerca de dez horas de voo.

Quando ir: mais de 32 graus em julho, San Isidro em maio

Madri fica a 650 metros de altitude, longe do mar: verão de forno e inverno de casaco. Em julho e agosto, a média das máximas passa de 32 °C, e o recorde do Retiro é de 40,7 °C. Em agosto muita gente sai de férias, e alguns restaurantes de bairro fecham. Ficam as verbenas, festas de rua de La Latina e Lavapiés, com a da Paloma perto de 15 de agosto.

As melhores épocas são de abril a junho e setembro. Maio tem máximas de 23 °C e as festas de San Isidro, padroeiro da cidade, celebrado em 15 de maio: em 2026, a programação foi de 7 a 17 de maio, com shows de graça, gente vestida de chulapo e chotis na pradaria de San Isidro e na Plaza Mayor.

Outubro é o mês mais chuvoso, com uns 64 mm e máximas perto de 20 °C. De dezembro a fevereiro, as máximas ficam entre 10 °C e 12 °C e as mínimas médias, em 3 °C a 4 °C.

Sem taxa turística, com IOF e sem Pix

Madri não cobra taxa turística. Em janeiro de 2026, a oposição propôs criar uma, mas a prefeitura e o governo regional rejeitam a ideia; o imposto da Catalunha não vale aqui.

Pagamento. Cartão por aproximação passa em quase todo lugar; Pix não existe na Espanha. Compras no cartão internacional pagam 3,5% de IOF. Se a maquininha oferecer cobrança em reais, recuse.

Gorjeta. Opcional: arredondar a conta ou deixar umas moedas basta.

Segurança. Madri tem pouca violência, mas furto é comum em Sol, na Gran Vía, no metrô e no Rastro. Celular fora da mesa do bar e mochila na frente.

Tomada, chip e fuso. 230 V, tipos C e F; o plugue brasileiro de dois pinos finos costuma entrar. Um eSIM europeu resolve a internet desde o pouso. Madri está cinco horas à frente de Brasília até 25 de outubro de 2026 e quatro horas até o fim de março.

Documentos: passaporte, prova de dinheiro e o EES

Brasileiro não precisa de visto para até 90 dias a cada 180 no espaço Schengen. O passaporte precisa valer pelo menos três meses depois da saída prevista. Na imigração, podem pedir passagem de volta, reserva de hospedagem e prova de dinheiro: em 2026, €121,10 por pessoa por dia, no mínimo €1.098,90. Leve seguro-viagem com cobertura médica.

O passaporte não leva mais carimbo. Na primeira entrada depois de 10 de abril de 2026, quando o EES, o registro europeu de entradas e saídas, passou a valer em todas as fronteiras de Schengen, o agente de Barajas tira foto do rosto e colhe as digitais. Deixe folga entre o pouso e qualquer trem marcado para o mesmo dia. O ETIAS, a autorização de €20 que vai ser exigida de quem entra sem visto, ainda não começou e não tem data oficial (a imprensa europeia fala em 2027). Até lá, site que cobra pelo ETIAS é golpe; o endereço oficial é travel-europe.europa.eu.

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Palácio Real e catedral de Almudena vistos do parque do Templo de Debod, acima dos telhados e das árvores, sob céu com nuvens

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