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Ipojuca, Pernambuco

Porto de Galinhas na maré certa: piscinas, cavalos-marinhos e onde ficar

O que fazer em Porto de Galinhas: piscinas na maré baixa, cavalos-marinhos na cheia, bate-volta a Carneiros e onde ficar entre vila, Cupe e Muro Alto.

Foto: Cleferson Comarela · CC BY-SA 3.0

Em Porto de Galinhas, as galinhas estão em toda parte: na porta das lojas, nas esquinas e nas calçadas, com corpo de tronco de coqueiro e crista pintada de vermelho. A história que se conta sobre o nome é bem menos simpática. Segundo a versão que a prefeitura de Ipojuca repete, o lugar se chamava Porto Rico, por causa do pau-brasil, e no século XIX, com o tráfico já proibido, virou ponto de desembarque clandestino de africanos escravizados. Eles viriam escondidos sob engradados de galinhas-d'angola, e a senha seria "tem galinha nova no porto". Nenhum documento confirma a história, mas é a que você vai ouvir por ali.

O Porto de hoje vive de outra coisa: um recife a poucas centenas de metros da areia que, na maré baixa, prende a água em piscinas mornas e transparentes. A revista Viagem e Turismo elegeu Porto de Galinhas a melhor praia do Brasil dez vezes seguidas. Antes de reservar, olhe a tábua de marés: quase tudo o que vale fazer aqui depende dela, e os dois passeios mais famosos pedem marés opostas.

Piscinas naturais: jangada na seca, de 0,5 m para baixo

As piscinas só se formam na maré baixa. A condição ideal, pelo guia Melhores Destinos, é a tábua marcar até 0,5 m; quando a água sobe, os jangadeiros recolhem as velas e encerram os passeios do dia. As melhores semanas são as de lua cheia e lua nova, quando a baixa-mar desce mais. Para o horário, use a tábua de marés da Marinha do Porto de Suape, a estação mais próxima.

As jangadas saem da praia central. Cada uma leva até seis pessoas, e o passeio dura cerca de uma hora, uns 40 minutos dele parado no recife. O bilhete se compra no guichê da associação dos jangadeiros, junto ao portal de acesso à praia, no cotovelo entre a Rua das Piscinas Naturais e a Rua Esperança. A ordem é de chegada.

Em abril de 2026, eram R$ 60 por pessoa, segundo o guia Esse Mundo é Nosso. Pela internet, a associação vende uns R$ 2 mais barato e sem fila. Em 2025, pagar com cartão saía R$ 3 mais caro que em dinheiro ou Pix, crianças de 4 a 6 anos pagavam meia e as de até 3 anos não pagavam.

O banho na piscina principal depende do dia. Quando a água deixa de cobrir os corais, ela fica só para observação, e o jangadeiro leva o grupo a outro ponto onde dá para entrar e nadar no meio dos sargentinhos, os peixinhos listrados de amarelo e preto. As áreas cercadas por corda são proibidas. Leve máscara e vá de chinelo ou sapatilha de água.

Sargentinhos numa das piscinas naturais, com a água parada da maré baixaFoto: CleideIsabel2 · CC BY-SA 3.0

Com a tábua abaixo de 0,4 m, também dá para ir a pé. A prefeitura controla a travessia: distribui pulseiras e leva grupos de 30 pessoas, com 15 minutos no recife. A água pode chegar à barriga no caminho, então só vá andando quem nada bem.

Bom saber

A tábua mostra a hora da maré mínima. As jangadas começam a sair antes dela; chegue ao guichê uma hora antes do horário da tábua.

Maracaípe e o Pontal, onde o passeio pede maré cheia

Três quilômetros ao sul do centro fica Maracaípe, uma enseada de areia larga, coqueiral e onda forte. É a praia dos surfistas, junto com o Cupe. Para banho, é a errada: a água afunda rápido, o mar bate pesado, e mesmo quem só molha as pernas precisa de cuidado.

A praia de Maracaípe, de onda forte e areia largaFoto: FWehby · CC BY-SA 4.0

Na ponta sul, o Rio Maracaípe encontra o mar e forma o Pontal de Maracaípe, a uns 6 km do centro, aonde se chega de buggy, táxi, aplicativo ou carro. Ali o mangue virou Parque Natural Municipal em 2017, com cerca de 15 hectares, para proteger o estuário onde se reproduzem os cavalos-marinhos.

O passeio é feito em jangadas sem vela, empurradas a vara pelo jangadeiro, de pé na popa. Ao contrário das piscinas, funciona melhor na maré cheia; na seca ele também sai, mas o rio fica raso.

O jangadeiro mergulha, encontra o bicho e o mostra num pote transparente com água antes de devolvê-lo ao rio. Os jangadeiros foram treinados pelo Projeto Hippocampus antes de 2017, e a sede do projeto em Porto de Galinhas fechou em 2020. Sem ela por perto, o cuidado fica com quem visita: peça que o pote não passe de mão em mão e que o animal volte logo para a água.

Marque a saída para o fim da tarde. Da última curva do rio, o sol se põe atrás dos coqueiros, e na volta há barracas de comida e bebida na areia.

Jangada de vara no fim da tarde em MaracaípeFoto: Boaventuravinicius · CC BY 4.0

Em 2025, o bilhete custava R$ 60 por pessoa no guichê da associação, perto do fim da Rua Professora Erothides Flora Chalaça, e os estacionamentos particulares em volta cobravam de R$ 10 a R$ 20, segundo o Melhores Destinos. Perto do guichê começa uma trilha curta pelo mangue, de uns cinco minutos e sem custo. Na maré alta ela alaga, então ande devagar.

Cupe e Muro Alto: do mar de onda à lagoa atrás do recife

Uns 5 km acima do centro, de 10 a 20 minutos de carro, começa o Cupe, uma faixa de cerca de 5 km. O mar tem onda e trechos com placa de perigo. A exceção é o Pontal do Cupe: na maré baixa, um banco de areia forma uma piscina rasa e clara, sem jangada nenhuma, boa para famílias. Em setembro de 2025, o estacionamento ali custava R$ 20.

Mais adiante, a uns 10 km de Porto, Muro Alto tem um recife comprido que corre paralelo à areia e segura as ondas. Entre ele e a praia, a água fica parada como numa lagoa, com caiaques e pranchas de stand up. É a praia mais fácil para criança pequena na região, e é também a dos grandes resorts, que ocupam boa parte da orla com seus guarda-sóis.

Muro Alto vista de drone: o recife paralelo à praia segura as ondasFoto: Cleferson Comarela · CC BY-SA 3.0

Sem carro, o passeio de buggy "de ponta a ponta", vendido nas agências do centro, vai de Muro Alto ao Pontal de Maracaípe num dia só.

Carneiros e São José da Coroa Grande, para um dia inteiro fora

Carneiros, em Tamandaré, fica a pouco mais de 50 km, de 40 minutos a uma hora de carro. É a praia da igrejinha de São Benedito, uma capela branca do fim do século XVIII entre os coqueiros, na foz do Rio Formoso. Ela fica em terreno privado e raramente abre. A areia é pública, mas o acesso por terra cruza propriedades particulares, e muita gente entra pelos clubes de praia, que cobram estacionamento ou entrada.

O jeito mais tranquilo de fazer o dia é o passeio de catamarã, que passa em frente à igrejinha, sobe o Rio Formoso, para na praia de Guadalupe para o banho de argila e vai às piscinas naturais de Carneiros, que também dependem da maré. Por isso a ordem das paradas muda de um dia para o outro, e alguns barcos só passam em frente à igrejinha; pergunte antes de fechar. Agências de Porto vendem o bate-volta com transporte; no Réveillon, no Carnaval e em julho, reserve com antecedência.

A igrejinha de São Benedito, em Carneiros, vista do Rio FormosoFoto: Robson Romeiro · CC BY-SA 4.0

São José da Coroa Grande, o último município do litoral pernambucano antes de Alagoas, fica a uns 70 km, mais de uma hora de carro, e é bem menos movimentado. Os recifes se estendem por quase 3 km em frente à cidade, e barcos e jangadas saem do centro para piscinas a uns 500 metros da orla. Mais ao sul, em Alagoas, ficam Maragogi e a Rota Ecológica dos Milagres.

O mar raso de São José da Coroa Grande, perto da divisa com AlagoasFoto: LLuiz Antonio · CC BY-SA 2.0

A vila, as galinhas e a cobrança na areia

O centro de Porto de Galinhas é pequeno e se resolve a pé: ruas de comércio, ateliês, bares e restaurantes a poucas quadras da praia. As galinhas que viraram símbolo do lugar ganharam força com o artesão Gilberto Carcará, um dos primeiros a esculpi-las em troncos de coqueiro trazidos pelo mar; depois vieram as de barro e de coco.

Uma das galinhas de tronco de coqueiro espalhadas pelas ruas de PortoFoto: Douglas Iuri Medeiros Cabral · CC BY-SA 2.0

Ao descer da vila para a areia, peça o valor total, para o dia inteiro, antes de sentar. Em dezembro de 2025, um casal de turistas foi agredido por comerciantes numa discussão sobre a conta de duas cadeiras e um guarda-sol: os dois dizem ter combinado R$ 50 e ter sido cobrados R$ 80 no fim, e os barraqueiros negam.

A prefeitura de Ipojuca reagiu com o Decreto nº 149/2025, que proíbe consumação mínima, taxa por não consumir e venda casada nas barracas de Porto de Galinhas, Cupe, Muro Alto e Maracaípe. Cadeira e guarda-sol podem ser cobrados, desde que o preço seja informado antes do uso e não seja abusivo; quem preferir senta na areia com a própria cadeira. Em Carneiros, já em Tamandaré, o decreto não vale, mas o Procon-PE considera abusiva a consumação mínima em qualquer lugar.

Onde ficar em Porto de Galinhas: vila, Cupe, Muro Alto ou Maracaípe

  • Vila. Tudo a pé: jangadas, restaurantes, comércio e a vida noturna. Em troca, a praia em frente é a mais cheia, e quem fica nas ruas centrais ouve os bares até tarde.
  • Cupe. Resorts, flats e condomínios grandes, muitos de frente para o mar, a uns 5 km do centro. Fora dos hotéis há pouco comércio na beira da praia, e o mar tem onda; o banho tranquilo fica no Pontal do Cupe, na maré baixa.
  • Muro Alto. A água parada atrás do recife é a melhor da região para criança, e a orla é dos grandes resorts. Fica a uns 10 km do centro: cada jantar fora ou ida às piscinas é de carro ou táxi.
  • Maracaípe. Pousadas, coqueiral e clima de praia de surfe, a 3 km do centro, com o Pontal e o pôr do sol a poucos minutos. O mar em frente não é de banho para criança, e parte da rua à beira-mar é de terra.

Tubarão: os casos ficam no Recife

Em junho de 2026, o comitê estadual que monitora incidentes com tubarão (Cemit) contava 84 casos em Pernambuco desde 1992: 70 na Grande Recife e 14 em Fernando de Noronha. As praias com mais registros são Boa Viagem (25), Piedade (24), Del Chifre, em Olinda (6), e Paiva, no Cabo de Santo Agostinho (4), segundo o Diario de Pernambuco. A área de risco, criada pelo governo do estado em 1999 e ampliada depois, tem hoje 33 km, de Olinda até o Paiva. Porto de Galinhas fica uns 30 km mais ao sul, fora dela.

Por aqui, o que pede atenção é o mar de onda do Cupe e de Maracaípe: respeite as placas e as bandeiras. Na praia central e em Muro Alto, o recife segura as ondas, e o banho costuma ser calmo. No Recife, a conta muda: em Boa Viagem e em Piedade, siga as placas do Cemit; no trecho da Igrejinha de Piedade o banho é proibido.

Quando ir: de setembro a fevereiro, fugindo da chuva de abril a julho

No litoral de Pernambuco, a chuva se concentra de abril a julho, com pico em junho, segundo as normais do Inmet; nesses meses, conte com dias nublados. De setembro a fevereiro é a melhor época, e outubro a dezembro são os meses com mais sol.

A alta temporada vai do Réveillon ao Carnaval, e julho enche com as férias escolares, apesar da chuva. Outubro, novembro e o começo de dezembro juntam pouca chuva e menos gente.

Como chegar do Recife: uma hora de carro ou duas de ônibus

O Aeroporto Internacional do Recife fica a cerca de 50 km. De carro, o caminho mais rápido é a BR-101 seguida da PE-009, a Rota do Atlântico, via expressa com pedágio; sem trânsito, leva por volta de uma hora. A alternativa sem pedágio, pela PE-060 e por Ipojuca, é mais lenta.

De ônibus, as linhas 191 e 195 saem do terminal Cais de Santa Rita, no centro do Recife, passam pelo aeroporto e chegam a Porto de Galinhas em cerca de duas horas, com muitas paradas. Desde fevereiro de 2026, a passagem custa R$ 15,40 na 191, sem ar-condicionado, e R$ 22,50 na 195, mais confortável. Dá para pagar em dinheiro, Pix ou cartão VEM. Não há rodoviária: o ônibus para perto de um posto de gasolina. Horários estão no site do Grande Recife Consórcio de Transporte.

Do aeroporto também saem táxi, transfer e aplicativo, que pode demorar a aceitar a corrida. Carro alugado só compensa para quem fica fora do centro ou quer fazer os bate-voltas por conta própria.

Roteiro de quatro noites, montado pela tábua de marés

Quatro noites cobrem o essencial. Um dia para as piscinas na maré baixa da manhã e as ruas do centro à tarde; outro para Muro Alto e o Pontal do Cupe; um fim de tarde para os cavalos-marinhos e o pôr do sol no Pontal de Maracaípe; um dia inteiro para Carneiros. Com mais duas noites, some São José da Coroa Grande, ou divida a estadia entre a vila e Maracaípe.

Antes de fechar as datas, olhe a tábua e prefira dias em que a baixa-mar caia de manhã ou no começo da tarde. Se ela só vier perto do anoitecer, sobra pouca luz para as piscinas.

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Vista aérea do recife na maré baixa, com jangadas de vela branca paradas em volta de uma piscina natural turquesa

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