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Nordeste de Goiás

Roteiro de 5 dias na Chapada dos Veadeiros: Saltos, Vale da Lua e Santa Bárbara

Cinco dias na Chapada dos Veadeiros: a que horas entrar no parque, onde ficar entre São Jorge e Cavalcante e o que reservar antes para a Santa Bárbara.

Foto: Marcelo85photo · CC BY-SA 3.0

Na Chapada dos Veadeiros, quem monta o roteiro é o relógio da portaria: em São Jorge, o parque nacional só deixa entrar a pé das 8h ao meio-dia. Daí sai o resto: os dias de parque começam cedo, as cachoeiras particulares ficam para a tarde e o deslocamento longo, até Cavalcante, fica para o penúltimo dia. São cinco dias para quem gosta de caminhar uns 11 quilômetros num dia e quer ver os dois lados da Chapada: o parque e a Vila de São Jorge, ao sul, e as cachoeiras do território Kalunga, ao norte.

Antes de ir: carro, época e bases

Carro é obrigatório. As atrações ficam espalhadas por estradas de asfalto e de terra, e não há transporte público entre elas. Não precisa ser 4x4: o único trecho longo de terra, até o Engenho II, dá para fazer devagar com carro comum. Abasteça em Alto Paraíso, que tem mais estrutura que a vila, e leve dinheiro: os atrativos particulares e os guias cobram em espécie ou Pix. Pela lista da prefeitura de Alto Paraíso, que não traz data, as entradas vão de R$ 40 a R$ 70: Vale da Lua R$ 40, Loquinhas R$ 50, Almécegas e São Bento R$ 70.

Época. A seca vai de maio a outubro, com trilha firme e água transparente; as noites de junho e julho são frias. De novembro a abril chove, o cerrado fica verde e as cachoeiras ganham volume, mas os rios sobem rápido e algumas trilhas mudam: a Travessia das Sete Quedas, por exemplo, só abre de junho a novembro.

Maio e junho são os meses mais seguros. Julho também é ótimo, mas confira antes os fechamentos do Engenho II (Dia 4). O fim da seca é época de incêndio: o parque fechou por causa de fogo em setembro de 2024. E o Encontro de Culturas Tradicionais, que lota São Jorge, muda de data: já foi em julho e em setembro, e em 2026 foi marcado de 6 a 17 de outubro.

Bases. Duas: três noites na Vila de São Jorge (ou em Alto Paraíso) e uma em Cavalcante. São Jorge pertence ao município de Alto Paraíso de Goiás e fica a menos de um quilômetro da portaria do parque.

Bom saber

Compre o ingresso do parque no site oficial antes de sair de casa. Ele vale só para a data escolhida, e com ele na mão você não depende da bilheteria. Em outubro de 2026, a inteira custava R$ 49, segundo o site do parque; o transporte interno e o camping são cobrados à parte.

Dia 1: Brasília, Alto Paraíso e as Almécegas

Saia de Brasília às 7h. São de três a quatro horas de asfalto até Alto Paraíso. Quem chega de avião no mesmo dia precisa de um voo que pouse até umas 7h30 para alugar o carro e cumprir este dia; com voo mais tarde, vá direto para São Jorge, pare só no Jardim de Maytrea e, no Dia 5, troque Loquinhas pelas Almécegas.

Chegando a Alto Paraíso perto das 11h, almoce cedo e esteja na Fazenda São Bento até as 13h; a trilha e o banho tomam umas três horas. A fazenda fica a uns 8 km da cidade, na GO-239, a estrada para São Jorge, e reúne a Cachoeira São Bento e as duas Almécegas. Pague o ingresso na portaria e confirme ali o horário de fechamento.

A Almécegas I, com 45 a 50 metros, é a que importa: de 1 a 1,5 km de trilha só de ida, com pedras e subidas, até o poço na base. A Almécegas II, em outro ponto da fazenda, tem queda menor e poço mais calmo.

A Almécegas I vista do poço, na Fazenda São BentoFoto: Eder Fortunato · CC BY-SA 3.0

No fim da tarde, continue pela GO-239 rumo a São Jorge. No caminho fica o Jardim de Maytrea, um campo de buritis com o Morro da Baleia ao fundo. Ele fica dentro do parque, atrás de uma cerca: você vê do acostamento, sem cobrança, e não pode entrar. A luz do fim do dia é a melhor para ele.

O Jardim de Maytrea e o Morro da Baleia, vistos da GO-239Foto: André Azevedo Praude · CC BY-SA 3.0

Jante na rua principal de São Jorge e durma cedo. Amanhã o despertador toca às 6h30.

Dia 2: 11 km pelos Saltos do Rio Preto

Esteja na portaria às 8h, com dois litros de água por pessoa, lanche, protetor e calçado de trilha. A Trilha dos Saltos, Carrossel e Corredeiras é a principal do parque: cerca de 11 km ida e volta, de 6 a 7 horas, boa parte sob sol, numa dificuldade que o parque chama de moderada superior.

Primeiro vem o mirante do Salto de 120 metros, a queda mais alta do caminho. Não há trilha até a base: o Rio Preto despenca no cânion e você olha de cima. Mais adiante, na Cachoeira do Garimpão, de 80 metros, já dá para entrar na água, nos poços perto dela. Depois vêm o Carrossel, um conjunto de poços, e as Corredeiras, onde a trilha termina.

Bom saber

Para encurtar a volta, há transporte interno até as Corredeiras, das 9h às 15h: em outubro de 2026, a ida custava R$ 35 e a volta, R$ 45. A partir do meio-dia, depende de vaga e só é vendido em ida e volta.

Um dos saltos do Rio Preto, visto do alto na Trilha dos SaltosFoto: Adelano Lázaro · CC BY-SA 4.0

As trilhas são autoguiadas, sem guia obrigatório, mas é proibido sair do traçado, entrar com bebida alcoólica ou levar animal. Às 18h, todo mundo precisa estar fora das trilhas. O parque abre com chuva e avisa que não tem resgate próprio: saia da água ao primeiro sinal de rio subindo.

Você volta à vila entre 14h e 15h, com o resto do dia livre.

Dia 3: Cânions ou Janela de manhã, Vale da Lua à tarde

No terceiro dia, escolha entre água e vista. Quem quer passar a manhã nadando fica no parque; quem quer a cena da foto que abre esta matéria, os dois saltos do Rio Preto juntos, sobe ao Mirante da Janela.

Trilha dos Cânions e Cariocas, dentro do parque. São cerca de 11 km ida e volta, de 4 a 5 horas, com menos subida que a dos Saltos. O caminho acompanha o Rio Preto até o Cânion II, um corredor de paredões com água escura e funda, e segue até a Cachoeira das Cariocas, com uma série de quedas largas e poços. É a trilha do parque com mais tempo dentro d'água: do Cânion II às Cariocas, é meia hora de caminhada. Compre um ingresso novo para esta data.

A Cachoeira das Cariocas, no fim da Trilha dos CânionsFoto: Lucia Carvalho Horta · CC BY-SA 4.0

Mirante da Janela e Cachoeira do Abismo, fora do parque, em área particular perto da vila. É trilha de meio dia, quase toda exposta ao sol, com subidas e descidas puxadas sobre pedra. Da borda do mirante, os saltos aparecem de frente, no fundo do cânion. A Cachoeira do Abismo só aparece na época de chuva. Contrate um guia: a sinalização ajuda, mas não basta para achar o ponto certo.

Saindo da trilha por volta das 13h, almoce rápido e vá ao Vale da Lua, na GO-239, com os últimos 4 km em estrada de terra. É uma área particular no Rio São Miguel, com ingresso cobrado na entrada e uma trilha de 1,5 km ida e volta até o leito do rio, onde a água esculpiu a rocha cinza em crateras e canais. Chegue até as 15h: o lugar fecha às 17h, e a rocha ganha relevo com o sol já baixo.

As formações de rocha do Vale da Lua, no Rio São MiguelFoto: Salma Bahia · CC BY-SA 4.0

Bom saber

O Vale da Lua é estreito, e o rio sobe de repente quando chove nas cabeceiras, mesmo com sol em cima de você. Se a água mudar de cor ou de barulho, saia da rocha na hora. Na época de chuva, pergunte na portaria antes de descer.

À noite, São Jorge tem forró, bares pequenos e céu escuro.

Dia 4: Cavalcante e a Cachoeira Santa Bárbara

É o dia mais longo de estrada. Saia de São Jorge às 7h: passando por Alto Paraíso, são perto de duas horas de asfalto até Cavalcante. Da cidade até a comunidade Engenho II, no território quilombola Kalunga, são mais 27 km de terra, que um carro comum faz em cerca de uma hora. Na época de chuva, pergunte no centro de atendimento ao turista de Cavalcante como está a estrada antes de sair.

A Cachoeira Santa Bárbara, com 27 metros de queda e um poço azul-turquesa, é administrada pela associação da comunidade. O que você precisa saber:

  • O ingresso é comprado antes, no portal de reservas da AKCE, com dia e horário marcados: R$ 65 a inteira em outubro de 2026 (na hora, R$ 75, se sobrar vaga). O limite é de 300 visitantes por dia e 50 por hora. Sem reembolso nem remarcação no dia; até 15 dias antes, devolvem 75%.
  • O Engenho II fecha a visitação nas folias Kalunga. Em 2026, os fechamentos foram de 6 a 7 e de 18 a 21 de janeiro, de 8 a 14 de julho e de 2 a 6 de setembro. Confira o calendário no portal antes de fixar este dia.
  • O guia Kalunga é obrigatório e é escolhido na hora da reserva. O valor é por grupo de até seis pessoas (R$ 200 em outubro de 2026, segundo a associação) e é pago no dia, em dinheiro ou Pix.
  • O carro fica no centro de atendimento da comunidade. O trecho até o início da trilha soma 10 km ida e volta, feitos no transporte local (R$ 30 por pessoa, ida e volta, em outubro de 2026) ou a pé. Depois vêm 3,5 km de trilha ida e volta, com travessia de rio, segundo a associação.
  • Na alta temporada, o tempo no poço é de cerca de uma hora, e a visita inteira leva umas três. A cor da água costuma ficar mais intensa com o sol alto, perto do meio-dia, então agende para o fim da manhã.
A Cachoeira Santa Bárbara, no Engenho II, território KalungaFoto: Aline Fortuna · CC BY-SA 4.0

Chegando ao Engenho II por volta das 10h, você termina a visita perto das 13h. Leve lanche para a trilha e almoce na comunidade, onde famílias Kalunga servem comida caseira. Volte a Cavalcante antes de escurecer; a estrada de terra à noite não compensa.

Dia 5: poços de Loquinhas e estrada até Brasília

Saia de Cavalcante às 8h e volte até Alto Paraíso, perto de uma hora e meia de asfalto. A 4,4 km do centro da cidade fica Loquinhas: 18 poços verde-esmeralda, segundo a prefeitura, ligados por passarelas de madeira num circuito de 2,2 km. É a cachoeira mais tranquila da viagem e a mais fácil para quem já está com as pernas cansadas: a água é transparente, e dá para ir de poço em poço sem pressa.

O Poço Xamã, um dos poços da trilha de Loquinhas, perto do centro de Alto ParaísoFoto: Aline Fortuna · CC BY-SA 4.0

Almoce em Alto Paraíso e pegue a estrada até as 13h30 para chegar a Brasília com luz. Quem volta de avião deve marcar o voo para depois das 19h.

Se chover: o que trocar no roteiro

Com chuva forte:

  • Cânions e poços estreitos (Vale da Lua, Cânion II) saem; entram trilhas curtas e sem travessia de rio, como a da Seriema, de 850 metros, que o parque abre de novembro a maio.
  • Em Loquinhas e no Engenho II, confirme na portaria ou com a associação, na véspera e na chegada, se choveu forte nas cabeceiras.

Onde ficar: São Jorge, Alto Paraíso ou Cavalcante

Vila de São Jorge

A melhor base para o parque: a portaria fica a uma caminhada, e o Vale da Lua e o Mirante da Janela, a minutos. A vila é pequena, de ruas de terra, com pousadas, campings e casas de aluguel. O preço disso: mercado pequeno, poucos serviços, lotação e diária alta nos feriados, e 40 minutos de estrada para tudo o que fica perto de Alto Paraíso. À noite, leve lanterna: as ruas são escuras.

Alto Paraíso de Goiás

A cidade tem mais restaurantes, mercados, farmácias, posto e caixa eletrônico, e fica no meio do caminho entre o parque e Cavalcante. Faz sentido para quem viaja com criança ou quer mais conforto. O custo é a estrada: uns 40 minutos até a portaria do parque em cada dia de trilha, saindo antes das 7h30.

Cavalcante

Cidade pequena, mais simples e menos turística que Alto Paraíso, e a base certa para as cachoeiras Kalunga. Há poucas opções de restaurante à noite, e quase todos os atrativos ficam no fim de uma estrada de terra. Durma pelo menos uma noite lá: Santa Bárbara num bate-volta a partir de Alto Paraíso é uma maratona de estrada.

Como chegar de Brasília

Quem vem de avião desce em Brasília. Há ônibus até Alto Paraíso, mas sem carro você depende de passeio contratado.

Distâncias que importam:

  • Aeroporto de Brasília a Alto Paraíso: 235 km de asfalto, cerca de 3h50, segundo a prefeitura.
  • Alto Paraíso a São Jorge: 36 km de asfalto, pela GO-239.
  • Alto Paraíso a Cavalcante: cerca de 90 km de asfalto.
  • Cavalcante ao Engenho II: 27 km de terra.
  • Cavalcante a Brasília: cerca de 320 km.

Roteiro de 3 ou 4 dias, ou só um fim de semana

  • Quatro dias: corte o Dia 3 inteiro. Você perde o Vale da Lua e a segunda trilha, mas mantém o parque e Cavalcante.
  • Três dias: esqueça Cavalcante e fique em São Jorge.
  • Fim de semana: saia de Brasília na sexta à noite, faça os Saltos no sábado e, no domingo de manhã, o Vale da Lua e as Almécegas, que ficam no caminho da volta.

Com mais tempo: Capivara, trilha noturna e travessia

  • Mais uma noite em Cavalcante: ela dá tempo para as cachoeiras da Capivara, onde o Córrego Tiririca cai ao lado do Rio Capivara, e do Candaru, também no Engenho II. A associação as vende em pacote (R$ 100 a inteira em outubro de 2026), com guia obrigatório e 4 km de trilha, só a pé, até a Capivara. O guia sai por R$ 250 o grupo pelas duas cachoeiras, e o transporte até o Candaru, opcional, por R$ 40 por pessoa.
  • No parque, à noite: de quarta a domingo, o parque abre à noite a Trilha dos Saltos e, de novembro a maio, a da Seriema, de 850 metros. Exige condutor credenciado, grupo de até seis pessoas, lanterna própria (a do celular não vale) e ingresso comprado antes, porque a bilheteria fecha à noite. O parque não recomenda banho de rio nesse horário, e a dos Saltos não cabe no mesmo dia de uma trilha diurna.
  • Para a próxima viagem: ficam as Cataratas dos Couros, com quase todo o caminho em terra desde Alto Paraíso, e a Travessia das Sete Quedas, de junho a novembro, com pernoite em camping dentro do parque.
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Os dois saltos do Rio Preto caindo num cânion cercado de cerrado, vistos do alto do Mirante da Janela, na Chapada dos Veadeiros

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