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Curitiba, Paraná

O que fazer em Curitiba em 3 dias, com o trem da Serra do Mar até Morretes

Curitiba em 3 dias, de sexta a domingo: Linha Turismo, MON de graça, feira do Largo da Ordem, trem até Morretes com preços de 2026 e onde ficar.

Foto: Rodrigo.Argenton · CC BY-SA 4.0

Curitiba castiga quem chega na segunda-feira. O Museu Oscar Niemeyer fecha, a feira do Largo da Ordem só existe no domingo e, fora das férias, o trem para Morretes só sai de sexta a domingo e nos feriados.

Por isso, escolha os dias antes do bairro. Dois dias dão conta dos parques, do centro histórico e do museu. O terceiro é do trem, que desce a Serra do Mar por pontes e túneis até Morretes e ocupa o dia inteiro, entre ida, almoço e volta. A combinação que encaixa tudo é de sexta a domingo.

Linha Turismo, R$ 50 por 24 horas no andar de cima

A Linha Turismo é o jeito mais simples de ligar os parques, que ficam espalhados e longe uns dos outros. São ônibus de dois andares que fazem um circuito de cerca de 48 km por 26 atrativos, com saída a cada 30 minutos. A volta completa, sem descer, leva umas três horas.

O bilhete custa R$ 50 em 2026 e se paga no embarque, em dinheiro, débito ou crédito; vale como cartão-turismo individual, com embarques ilimitados: você desce no Jardim Botânico, passa uma hora lá e sobe no próximo ônibus. O circuito começa na Rua 24 Horas, perto da Praça Osório, mas dá para embarcar em qualquer parada. Os ônibus circulam todos os dias, com a primeira saída às 8h30 e a última por volta das 17h30. Confira o horário da última passagem em cada parada, porque quem desce tarde demais no Tanguá volta de aplicativo.

Bom saber

O cartão vale por 24 horas a partir do primeiro uso, e não por dia de calendário. Comprado às 11h do sábado, ainda serve até as 11h do domingo.

Estufa do Jardim Botânico cedo, Ópera de Arame e Tanguá no fim da tarde

O Jardim Botânico abre às 6h, fecha às 19h30 e não cobra entrada. A estufa de ferro e vidro, com três cúpulas inspiradas no Palácio de Cristal de Londres, fica no fim do jardim francês, que enche rápido nos fins de semana. Chegue antes das 9h para ter as escadas e o gramado com pouca gente. A estufa fecha de tempos em tempos para limpeza dos vidros (em 2026, de 6 a 17 de abril); o resto do parque continua aberto.

A Ópera de Arame, inaugurada em 1992 e montada em 75 dias, é um teatro de tubos de aço e cobertura transparente sobre o lago de uma antiga pedreira, no bairro Abranches. Para chegar ao auditório, você atravessa uma passarela sobre o lago. A entrada no teatro depende da agenda: em dia de show ou de montagem, só entra quem tem ingresso, então confira a programação antes de ir. Ao lado fica a Pedreira Paulo Leminski, palco de shows ao ar livre.

Plateia da Ópera de Arame, sob a cobertura transparenteFoto: Natalia Steinbach · CC BY 2.0

O Parque Tanguá foi aberto em 1996 em duas pedreiras abandonadas, com um túnel ligando os lagos. A cascata de 65 metros nasce no Jardim Poty Lazzarotto e cai pelo paredão. No alto fica o belvedere em semicírculo, com mirante em duas torres, de onde a cascata não aparece: para vê-la, é preciso descer até o lago.

No fim da tarde, o belvedere lota de gente esperando o pôr do sol. No verão, o sol se põe depois das 19h, quando a Linha Turismo já parou. Para ficar até o fim, chame um carro para a volta.

Cascata do Parque Tanguá, no paredão da antiga pedreiraFoto: Marinelson Almeida - Traveling through Brazil from Niteroi, Brasil · CC BY 2.0

O Museu Oscar Niemeyer é de graça às quartas

O MON, no Centro Cívico, tem duas partes: um bloco comprido de exposições e o Olho, o prédio que Niemeyer apoiou num pilar amarelo. O museu abre de terça a domingo, das 10h às 18h, e a entrada custa R$ 36 em 2026 (meia de R$ 18). Às quartas e no último domingo de cada mês, é de graça para todos.

Nas quartas e nos domingos grátis, o próprio museu avisa que pode encerrar a retirada de ingressos antes das 17h30. Chegue perto das 10h ou entre meio-dia e 13h, os horários que o MON aponta como mais vazios. A entrada tem detector de metais e revista de bolsas.

O Olho do Museu Oscar Niemeyer, no Centro CívicoFoto: Marinelson Almeida - Traveling through Brazil from Niteroi, Brasil · CC BY 2.0

Domingo de feira no Largo da Ordem e jantar em Santa Felicidade

A feira do Largo da Ordem funciona aos domingos, das 9h às 14h, com mais de 800 barracas de artesanato, antiguidades e comida. Ela vai da Rua São Francisco à Rua Martim Afonso, passando pelo Largo e pela Praça Garibaldi, no centro histórico. Vá até as 11h, antes do aperto do almoço. Em volta ficam as casas coloniais do setor histórico, as igrejas e as escadarias de pedra, que se veem na mesma caminhada.

Igreja da Ordem, no Largo, com as barracas da feiraFoto: Marinelson Almeida - Traveling through Brazil from Niteroi, Brasil · CC BY 2.0

A poucas quadras do Largo, a Rua XV de Novembro, que a cidade chama de Rua das Flores, é calçadão desde 1972 e vai até a Praça Santos Andrade e o prédio histórico da Universidade Federal do Paraná.

Santa Felicidade é o bairro dos imigrantes italianos, no noroeste da cidade, com os restaurantes em sequência na Avenida Manoel Ribas. O mais conhecido é o Madalosso, com salões para mais de 4 mil pessoas e rodízio italiano. É programa de jantar ou almoço de domingo, de carro ou aplicativo; a Linha Turismo passa por lá, mas não à noite.

Trem até Morretes: qual classe, qual lado do vagão e como voltar

A ferrovia entre Curitiba e Paranaguá foi inaugurada em 1885, com 41 pontes e 13 túneis. O trem turístico, operado pela Serra Verde Express, percorre o trecho até Morretes e desce a serra por dentro da Mata Atlântica, passando pelo Viaduto do Carvalho e pela Ponte São João. A viagem leva de 4h a 4h30, com uma parada no Marumbi, só para quem vai fazer trilha no parque.

Trem na Ponte São João, na descida da serraFoto: Rubens Nemitz Jr · CC BY-SA 4.0

Horário e dias. O trem sai às 8h30 da Estação Rodoferroviária de Curitiba, nos fundos da rodoviária (Avenida Presidente Affonso Camargo, 330), e a empresa pede que você chegue uma hora antes. A volta sai de Morretes às 15h (no verão, costuma passar para as 16h; de janeiro a 1º de março de 2026 foi assim). Na alta temporada (janeiro, fevereiro, dezembro e a segunda quinzena de julho), há saídas todos os dias; no resto do ano, só às sextas, aos sábados, aos domingos e nos feriados. Em feriado e nas férias, os vagões mais baratos esgotam; compre assim que tiver a data.

Classes e preços (por pessoa, só ida, em 2026):

  • Econômica: cadeiras de plástico, sem guia nem lanche. É usada sobretudo por quem desce no Marumbi.
  • Turística: a partir de R$ 206, com poltrona estofada, guia em português, lanche e uma água ou refrigerante.
  • Boutique: a partir de R$ 475, em vagões temáticos, a maioria com varanda, lanche e bebidas à vontade, incluindo cerveja. Um deles aceita animais.
  • Litorina: a partir de R$ 525, o vagão de luxo com ar-condicionado, espumante na entrada e guia bilíngue.

O lado do vagão. O assento é marcado na compra. Na descida, quem já fez o passeio recomenda o lado esquerdo, o do vale. No Viaduto do Carvalho, olhando pela janela, você não vê o trilho, só a mata. A Serra Verde avisa que, em alguns vagões, parte dos passageiros viaja de costas.

Bom saber

A bordo não há sinal de celular, e a venda de bebidas é só em dinheiro. A neblina pode fechar a vista da serra em qualquer época. A compra on-line só se cancela sem taxa nos primeiros sete dias; depois, a multa é de 20%.

Barreado em Morretes, Antonina a 15 km

Morretes é pequena e se percorre a pé. O centro fica na beira do Rio Nhundiaquara, com casarões, a Igreja Matriz e uma ponte velha sobre o rio. O almoço é o barreado: carne cozida por horas numa panela de barro vedada com pasta de farinha de mandioca, servida desfiada com farinha e banana. Desde 2022, o barreado tem indicação de procedência registrada, que vale para Morretes, Antonina e Paranaguá.

O Nhundiaquara no centro de Morretes, com a serra ao fundoFoto: Misstetei · CC BY-SA 3.0
Barreado servido com farinha, banana e arrozFoto: Cataleirxs · CC BY-SA 4.0

Antonina fica a pouco mais de 15 km, na beira da baía. O centro histórico foi tombado pelo Iphan em 2012 e tem a Igreja de Nossa Senhora do Pilar, fundada em 1714, a antiga estação de trem e a Ponta da Pita. Os ônibus da Viação Graciosa ligam as duas cidades e saem da rodoviária de Morretes.

Para voltar a Curitiba, há três jeitos. O trem das 15h refaz a serra subindo. Os pacotes com volta de van (a partir de R$ 488, com almoço) sobem pela Estrada da Graciosa, de paralelepípedo e curvas fechadas. E o ônibus de linha da Viação Graciosa leva de 1h20 a 1h40 e deixa o horário da volta por sua conta.

Onde ficar em Curitiba: Batel, Centro ou Água Verde

Batel, para jantar e sair a pé

O Batel é o bairro dos restaurantes, dos bares e do Shopping Pátio Batel, com calçadas movimentadas à noite e ruas arborizadas. É a melhor base para quem quer jantar a pé e sair à noite. Fica a cerca de 2 km da Praça Tiradentes, uma caminhada de 25 minutos ou uma corrida curta. O contra é o preço, o mais alto entre os três. No dia do trem, a estação fica a uns 3 km, e às 7h30 vale chamar um carro.

Centro, para quem vai de trem e de feira

O Centro põe você ao lado do ponto inicial da Linha Turismo, da Rua das Flores e do Largo da Ordem, e a menos de 2 km da estação do trem. Para quem vai sem carro e quer fazer o trem e a feira, é a base mais prática. O contra aparece à noite e no domingo à tarde, quando o comércio fecha e várias ruas ficam vazias; escolha as quadras mais perto do Largo e da Praça Santos Andrade e, tarde da noite, volte de carro.

Água Verde, mais em conta e residencial

O Água Verde, ao sul do Batel, é residencial, com prédios, padarias e mercados de bairro, e em geral sai mais barato que os outros dois. Serve para quem fica mais dias, viaja em família ou de carro. Tudo o que é turístico exige ônibus ou aplicativo. Em dia de jogo do Athletico, as ruas em volta da Arena da Baixada, que fica no bairro, travam.

Leve casaco em qualquer mês

Curitiba está a 934 metros de altitude. Pela normal climatológica do Inmet (1991–2020), julho é o mês mais frio, com mínima média de 9 °C, e geada é comum no inverno. Mesmo em janeiro, a mínima média fica em torno de 16,5 °C, e a noite pede casaco. Chove o ano todo: janeiro é o mês mais chuvoso, com 226 mm, e agosto, o mais seco, com 81 mm.

Para o trem, março, abril e maio são uma boa janela: chove menos que no verão, faz menos frio que no inverno e o trem sai de sexta a domingo sem disputa de férias. Abril é o mês com menos chuva da primeira metade do ano. Na virada de março para abril acontece o Festival de Curitiba, de teatro; em 2026, foi de 30 de março a 12 de abril.

Do Afonso Pena ao centro

O Aeroporto Afonso Pena fica em São José dos Pinhais, a cerca de 18 km do centro. O ônibus metropolitano E32 sai da porta do terminal a cada 20 minutos, das 5h40 às 23h20, e vai até o Terminal do Boqueirão, onde a integração é gratuita com a linha 503, que segue até a Praça Carlos Gomes, no centro. A tarifa é de R$ 6 em dinheiro. É barato, mas com a baldeação a viagem passa de uma hora; com mala, táxi ou carro de aplicativo resolvem mais rápido.

Três dias, na ordem que funciona

  • Sexta: trem às 8h30, barreado em Morretes e volta de trem às 15h; para incluir Antonina, volte no ônibus da Viação Graciosa no horário que for melhor para você.
  • Sábado: Jardim Botânico cedo, Linha Turismo a partir do fim da manhã, Ópera de Arame, Tanguá no fim da tarde e jantar no Batel.
  • Domingo: feira do Largo da Ordem até as 11h, Rua das Flores, MON logo depois do meio-dia (no último domingo do mês, quando é de graça, não deixe para o fim da tarde) e almoço ou jantar em Santa Felicidade.

Se a viagem cair no meio da semana, troque o trem pelo MON de graça na quarta e deixe Morretes para outra vez, ou vá a Morretes no ônibus da Viação Graciosa e volte no mesmo dia. E, se der para esticar, Foz do Iguaçu fica a uns 650 km pela BR-277.

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Estufa de ferro e vidro do Jardim Botânico de Curitiba iluminada ao anoitecer, com uma fonte e uma estátua em primeiro plano

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