Roma, Florença e Veneza, Itália
Roteiro de 10 dias na Itália de trem: Roma, Florença e Veneza, com o que reservar antes
Roma, Florença e Veneza em 10 dias de trem: o dia a dia, os ingressos que esgotam (Coliseu, cúpula, Uffizi, David), onde ficar e a taxa de Veneza.
Roma, Florença e Veneza ficam na mesma linha de trem de alta velocidade, e o trajeto inteiro, de Termini até a beira do Grande Canal, soma pouco mais de três horas e meia sentado. Por isso as três viraram a primeira viagem clássica à Itália: dez dias, nenhum carro alugado, nenhum voo doméstico.
O que atrapalha são as reservas. O Coliseu vende ingresso com nome, os Uffizi e a Accademia têm hora marcada, a cúpula de Brunelleschi só se sobe com horário reservado, e Veneza cobra uma taxa de quem chega só para o dia. Este roteiro diz o que reservar e com quanta antecedência.
A divisão: quatro noites em Roma, três em Florença, duas em Veneza
São nove noites para dez dias. Roma leva a maior fatia porque tem mais para ver e distâncias maiores entre uma atração e outra. Florença fica com três noites, uma delas livre para a Toscana. Veneza recebe duas noites, para ter a manhã cedo e a noite, quando quem foi só passar o dia já embarcou de volta.
Compre a passagem aérea chegando a Roma e voltando de Veneza (ou o contrário). É a passagem multidestino, e evita meio dia de trem de volta a Roma. Se a volta por Veneza sair cara demais, Milão fica a cerca de duas horas e meia de trem de Santa Lucia.
Frecciarossa ou Italo: como funcionam os trens rápidos
Duas empresas fazem o trajeto: a estatal Trenitalia, com os Frecciarossa vermelhos, e a privada Italo. As duas vendem pelos próprios sites e aplicativos, com lugar marcado e preço que sobe conforme a data se aproxima, como passagem de avião. Comprar com algumas semanas de antecedência costuma render as tarifas mais baixas.
- Roma Termini a Firenze Santa Maria Novella: cerca de 1h30, com trens a toda hora.
- Firenze Santa Maria Novella a Venezia Santa Lucia: cerca de 2h, em geral com paradas em Bolonha, Pádua e Mestre.
Bilhete de trem rápido com lugar marcado não precisa ser validado na máquina amarela. O regional, de preço fixo e sem lugar, precisa, e o fiscal multa quem esquece. Mala grande vai no bagageiro da ponta do vagão; chegue à plataforma uns 15 minutos antes, porque o número da plataforma (binario) só aparece no painel pouco antes da partida.
Dia 1: chegada e o centro histórico a pé
Chegando de manhã do Brasil, ande sem compromisso pelo Panteão, pela Piazza Navona e pela Fontana di Trevi, todos a menos de 15 minutos a pé um do outro. Não marque nada com hora antes das 15h. À noite, atravesse o rio para jantar em Trastevere.
Dia 2: Coliseu, Fórum e Palatino
Entre no Coliseu às 9h. O ingresso é nominal e esgota na alta temporada, então compre antes. Siga pelo Fórum e pelo Palatino até o meio da tarde e termine o dia em Monti, o bairro logo atrás do Fórum.
Dia 3: Museus Vaticanos e São Pedro
Não deixe este dia cair num domingo: os museus fecham, salvo no último domingo do mês. Entre às 8h ou 9h, com ingresso comprado no site oficial, siga para a basílica e termine o dia em Prati, o bairro ao lado, com comércio de rua na Via Cola di Rienzo.
Dia 4: Borghese, Aventino ou o bairro judeu
É o dia de escolher um dos três. A Galleria Borghese só entra com reserva de horário. O Aventino e o bairro judeu dispensam reserva e servem para quem acordou sem plano. As regras completas de Roma, os bairros para dormir, a taxa de 2 euros da Fontana di Trevi e o caminho do aeroporto estão no nosso guia de Roma.
Dia 5: trem para Florença e o pôr do sol do Piazzale Michelangelo
Pegue um trem no meio da manhã e chegue a Florença para o almoço. A estação Santa Maria Novella fica dentro do centro, e o Duomo está a dez minutos a pé.
Depois do almoço, vá ao Duomo. A catedral tem entrada gratuita, mas subir os mais de 460 degraus da cúpula de Brunelleschi exige ingresso com horário, comprado antes no site da Opera di Santa Maria del Fiore. O Brunelleschi Pass custa 30 euros (out/2026) e inclui também o campanário de Giotto, o Batistério, o Museu da Opera e a cripta de Santa Reparata. Os horários da cúpula esgotam semanas antes e são mais curtos aos sábados e domingos. A cúpula fecha para manutenção alguns dias por ano (em 2026, de 16 a 20 de novembro); confira o calendário antes de comprar.
No fim da tarde, atravesse a Ponte Vecchio e suba até o Piazzale Michelangelo, uns 20 minutos de caminhada a partir do rio, parte deles em escadaria. Chegue antes do pôr do sol, quando a luz cai atrás das pontes do Arno: é a vista da foto de abertura.
Dia 6: Uffizi de manhã e David à tarde
Os dois museus fecham às segundas-feiras. Se o dia 6 cair numa segunda, troque-o pelo dia 7.
Os Uffizi abrem de terça a domingo, das 8h15 às 18h30, com bilheteria até 17h30. Em outubro de 2026, o ingresso com horário marcado no site oficial custava 29 euros, e o comprado no dia, 25. Os 4 euros a mais pagam a fila: no verão, quem chega sem reserva pode perder a manhã inteira nela.
Separe três horas para a visita. Botticelli, Leonardo e Caravaggio estão no mesmo prédio, e o corredor do último andar dá vista para o Arno.
Na Accademia, o motivo da visita é o David de Michelangelo, o original; o da Piazza della Signoria é uma cópia. O museu é pequeno e se vê em uma hora, mas a fila de quem não reservou dá a volta ao quarteirão. A entrada custa 20 euros, mais 4 de reserva (out/2026); compre com horário pelo site oficial e não marque logo depois dos Uffizi: deixe o almoço no meio.
Para comer, o Mercato Centrale, no bairro de San Lorenzo, junta bancas de comida no andar de cima e bancas de carne, queijo e verdura embaixo. A bistecca alla fiorentina é vendida por peso, e o corte mínimo costuma servir duas pessoas.
Dia 7: Siena, Val d'Orcia ou mais um dia em Florença
Siena de ônibus ou trem. O ônibus expresso é o caminho mais simples: sai de um terminal ao lado da estação Santa Maria Novella e leva cerca de 1h20 até a Piazza Gramsci, já dentro das muralhas.
O trem regional leva cerca de 1h30, às vezes com baldeação em Empoli, e para a uns 2 km do centro, morro abaixo. Para subir, use as escadas rolantes do centro comercial em frente, que chegam perto da Porta Camollia, a uns 15 minutos a pé do Campo, ou pegue um ônibus urbano.
O dia é da Piazza del Campo, com o desenho de concha que vira pista do Palio em 2 de julho e 16 de agosto, da Torre del Mangia e da catedral de mármore listrado.
Val d'Orcia de carro. Pienza fica a 1h45 de carro de Florença. O dia rende Pienza, Montepulciano e a estrada de ciprestes que a liga a San Quirico, com volta à noite. Alugue fora do centro de Florença: o miolo da cidade é zona de tráfego limitado (ZTL), com câmeras que multam cada passagem sem autorização, e a multa chega pela locadora meses depois.
Ficar em Florença. Atravesse para o Oltrarno, o lado de lá do rio, com oficinas de artesãos, o Palazzo Pitti e o Jardim de Boboli.
Onde dormir em Florença: perto do Duomo, no Oltrarno ou junto à estação
Entre o Duomo e Santa Croce. Tudo a pé, inclusive o trem. É a área mais cara e a mais cheia de dia; nas ruas com bares, perto de Santa Croce, a noite é barulhenta.
Oltrarno (Santo Spirito, San Frediano). Do outro lado da Ponte Vecchio, com praça de bairro, restaurantes menos turísticos e vida noturna local na Piazza Santo Spirito. A estação fica a uns 20 minutos a pé, o que pesa com mala.
Perto de Santa Maria Novella. O mais prático para quem chega e sai de trem, e em geral o mais barato do centro. O entorno imediato da estação é menos agradável à noite e tem batedores de carteira.
Dia 8: Veneza, sem descer em Mestre por engano
Pegue o trem de manhã e desça na última parada, Venezia Santa Lucia, na própria ilha. A penúltima, Venezia Mestre, fica no continente, e quem desce ali vê o trem partir com Veneza ainda do outro lado da laguna. Quem dorme em Mestre faz o trecho até a ilha em uns 10 minutos de trem regional.
Na saída de Santa Lucia, o Grande Canal está a vinte passos. Não há carro nem táxi de rua em Veneza: o deslocamento é a pé ou de vaporetto, o ônibus aquático. Muitos endereços ficam a 15 ou 30 minutos de caminhada da estação, com pontes de degraus no caminho, e não há rampa na maioria delas. Viaje com uma mala que você consiga erguer escada acima.
O primeiro passeio é a linha 1 do vaporetto, que percorre o Grande Canal inteiro, parando em quase todo píer, até a Praça de São Marcos. O bilhete avulso custa 9,50 euros e vale por 75 minutos; o passe de 48 horas, 35 euros (out/2026), se paga em quatro viagens. Da estação a São Marcos, a linha 1 leva uns 45 minutos.
Veneza: dormir na ilha ou em Mestre
Na ilha (Cannaregio, Castello, Dorsoduro, San Polo). Você ganha a cidade à noite, quase vazia, e a manhã antes das excursões. Os preços são altos, os quartos pequenos e a mala sobe ponte. Cannaregio, perto da estação, é o mais prático; Dorsoduro, do outro lado do Grande Canal, o mais tranquilo.
Em Mestre. Hospedagem bem mais barata, perto da estação de trem e com acesso fácil ao aeroporto. Em troca, cada ida à ilha custa trem ou ônibus, e você perde a Veneza da noite. Funciona para orçamento apertado; para duas noites só, a ilha compensa.
A taxa de acesso: quem dorme em Veneza não paga, mas se cadastra
Desde 2024, Veneza cobra uma taxa de quem visita a cidade histórica só por um dia, em datas de movimento maior. Em 2026, valeu em 60 dias entre 3 de abril e 26 de julho, quase todos de sexta a domingo e feriados, das 8h30 às 16h: 5 euros pagos com pelo menos quatro dias de antecedência e 10 euros depois disso. Sem o código QR, a multa vai de 50 a 300 euros, além da taxa.
Neste roteiro, você dorme na cidade e não paga: quem tem hospedagem no município, inclusive em Mestre, já recolhe a taxa de hospedagem. Mesmo assim, nos dias de cobrança é preciso fazer o cadastro no portal oficial e guardar o código QR. Menores de 14 anos também são isentos. O calendário de 2027 ainda não saiu; a prefeitura estuda ampliar os dias e o valor.
Dia 9: São Marcos cedo, Burano à tarde
Chegue à Praça de São Marcos antes das 9h, quando ainda dá para ver o chão. A Basílica de São Marcos cobra entrada e pede ombros e joelhos cobertos; o Palácio Ducal, ao lado, merece reserva com antecedência, de preferência no tour dos Itinerários Secretos, pelas celas e salas de bastidor.
Depois do almoço, vá à estação Fondamente Nove e pegue o vaporetto para Burano, a ilha das casas pintadas, a uns 45 minutos de barco. Murano, a ilha do vidro, fica no caminho e cabe na mesma tarde.
Volte para a ilha principal no fim da tarde. É a hora em que os barcos de excursão e os trens de bate-volta esvaziam a cidade, e os bacari, os bares de balcão, servem cicchetti, petiscos pequenos, com uma taça de vinho.
Dia 10: Rialto de manhã e o aeroporto
Se for terça a sábado, o mercado de peixe do Rialto funciona pela manhã. Depois, ande sem mapa por Cannaregio ou Dorsoduro até a hora de sair.
Para o Aeroporto Marco Polo, os ônibus expressos saem da Piazzale Roma, ao lado da estação, e levam uns 20 minutos; conte com a caminhada até lá com mala, pontes incluídas. O barco da Alilaguna para no píer do aeroporto, a uns 10 minutos a pé do terminal, e leva mais de uma hora.
Quando ir: maio, junho, setembro e outubro
São os meses de clima mais fácil nas três cidades. Julho e agosto são quentes, com tarde acima dos 30 graus em Roma e Florença, e Veneza fica cheia. De novembro a fevereiro, as filas diminuem e os preços caem, mas os dias são curtos e Veneza tem acqua alta, mais comum de outubro a janeiro. Desde 2020, as comportas do MOSE seguram as marés grandes, mas a Praça de São Marcos ainda alaga por algumas horas com maré moderada; nesses dias, a prefeitura monta passarelas elevadas nas rotas principais.
Semana Santa e feriados italianos, como 25 de abril, 1º de maio e 2 de junho, enchem as três cidades.
Plano B: greve de trem
As greves de transporte, os scioperi, são comuns na Itália e anunciadas com dias de antecedência no site do Ministério dos Transportes e no das empresas. Na semana da viagem, confira os dias de greve. Em dia útil, os trens das 6h às 9h e das 18h às 21h circulam mesmo com greve, e um deles pode ser a sua saída. Se o seu trem for cancelado, as empresas costumam remarcar sem custo.
Antes de embarcar: passaporte, seguro, EES e cartão
Brasileiro não precisa de visto para turismo de até 90 dias no espaço Schengen; o passaporte deve valer pelo menos três meses além da data de saída, e seguro-viagem com cobertura de 30 mil euros é exigido. Desde 10 de abril de 2026, o Sistema de Entrada e Saída (EES) registra foto e digitais em todas as fronteiras do espaço Schengen, o que pode alongar a fila. O ETIAS, a autorização eletrônica prévia, ainda não tem data; a previsão mais recente é 2027, então confira perto da viagem.
Cartão por aproximação funciona nas três cidades, e Pix não existe por lá. Tomada, fuso, gorjeta e chip estão no guia de Roma. Na hora de comparar hospedagens, lembre que as três cidades cobram taxa por pessoa e por noite, paga direto na hospedagem. Some a taxa de todas as noites e de todas as pessoas ao preço de cada opção antes de decidir.
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